Sempre Foi Você
PRÓLOGO.
Me diz: isso é lealdade… ou só aquele tipo de teimosia que a gente finge que é virtude?
Acompanhe o casal mais comentado das séries de TV — dois seres iluminados com uma química de fazer até roteirista suspirar, uma sintonia que deixaria qualquer terapeuta orgulhoso, lindos, amados, idolatrados… e que mesmo assim se separam toda vez que o contrato acaba, só para voltarem para seus antigos amores como quem volta para o sofá confortável da sala.
É medo? É apego? É insegurança? Ou é apenas o bom e velho coração humano fazendo freestyle por aí?
Ajude-nos a tentar entender esse fenômeno emocional que coloca a lógica para dormir enquanto o sentimento sai dirigindo o carro sem habilitação.
No fim das contas… quem é que realmente governa nossas emoções?
Venha nos ajudar a decifrar esses mistérios profundos da alma, que insiste em colocar o coração numa avenida e a lógica numa viela sem saída.
Ouça o conto — e depois venha nos contar sua opinião (prometemos não julgar… muito).
A HISTÓRIA
O amor que ficou.
Raramente um “casting” é tão bem escolhido. Seja ele protagonizando amor, ódio ou intrigas, mistérios e truculência. Raramente um “malvado” é tão bem interpretado a ponto de correr o risco de os espectadores o confundirem na realidade.
Da mesma forma, difícil é um “casting” acertar tão bem um casal que passe ao público uma verdadeira paixão. Quando há “sex appeal” de ambos. Mas, naquela série, todos estavam inspirados pelo divino. Todos os personagens estavam magistrais.
O diretor de elenco foi magistral.
A série durou muitos capítulos a mais do que o que durava normalmente.
Com esses acertos todos, era fácil conseguir verba dos produtores
Um grande “set”, um grande elenco, um casal protagonista que levantou milhares de paixões, ódios, amores, mágoas. Este era o cenário que se apresentava no momento.
Povoou as tardes dos amantes de comédias românticas, com roteiros que entretinham até crianças.
Casais planejavam o fim de tarde juntos para assistirem os próximos capítulos e, naquele momento, o último capítulo, quando a esperança era que Angus e Surê ficassem juntos pela eternidade, derrotassem todo mal articulado contra eles e vivessem felizes para sempre.
Raramente, nessas comédias românticas, os casais protagonistas conseguiam transmitir tal realidade ao público. Tanta era a naturalidade daquela relação na tela, que gerava fofocas de que havia continuação na vida real, apesar de ambos os protagonistas terem outros como seus parceiros já há muito.
A gravação aconteceu sem incidentes. Atores e diretores de cena se entendiam. Formaram uma verdadeira família naquela série. Tudo deu certo.
Os mil capítulos foram para o ar ( a AI acrescentou essa frase por conta)
Cena 5, take 3: Claquete!
Naquele beijo, precisava haver verdade, emoções reais, acordo tácito entre os humanos que ali participavam daquela cena.
Naquela boca, o gosto do impossível participava dessa mesma cena.
Havia prazer, paixão, ao mesmo tempo também havia angústia e antecipação do término. Era a última cena da série. Era a última vez que participariam da história de amor, que finaliza com “foram felizes para sempre” e que não existe na vida real, só existe no imaginário dos sonhadores.
Era uma história onde roteiristas escreviam o que achavam que o público preferia ver e, com certeza, acertavam em grande parte.
O roteiro os conquistou, os ajuntou, os uniu. Tornaram-se cúmplices.
As emoções vividas diante das câmeras eram intensas e qualquer um que tivesse sensibilidade percebia serem autênticas, verdadeiras. Diante das câmeras havia mais verdade do que longe delas.
A percepção disso era contraditória, confusa. Os relacionamentos anteriores dos dois protagonistas eram longos, nascidos dos mesmos roteiros que agora uniam outras almas.
Qual é o roteiro que agora domina as vidas daqueles que atuam? Eram sempre as perguntas que ecoavam no ar, na hora do fim da cena.
Os laços anteriores ficaram para trás, mas continuavam a ser vividos fora dos sets, fora das luzes, das câmeras. Era infernal a confusão.
No final, há decisões a serem tomadas.
A questão infernal a ser respondida era exatamente: E agora?
Ele se retira para os bastidores do set e se prepara para vestir as roupas de sempre, do seu dia a dia.
O camarim ao lado é dela. Os sons que vêm de lá são típicos, conhecidos e tudo agora é ansioso. Vamos embora? Ficamos? Fazemos o quê?
A porta do camarim dela se abre, Carlo entra hesitante, mas vai decidido em direção a ela. Não há mais câmeras, diretores, elenco, drones, luzes e ela sente os braços dele em torno de seu corpo e se deixa abraçar. Fecha os olhos e permite que seu corpo todo envolva-se com o dele.
O abraço é impensado, temeroso de ser rejeitado, mas é forte o suficiente para não deixá-la fugir. Forte o suficiente para mantê-la junto. Mas ela não tenta fugir. Ela se entrega e acompanha a fúria do momento.
A cena gravada terminou há pouco, mas a cena atual torna o espaço do camarim algo particular, íntimo, envolvente e acolhedor.
Nada os separa, nem sequer ao baterem na porta e perguntarem por eles.
Os de fora parecem ouvir os sussurros e concordam em deixá-los decidir sobre suas vidas. A entrega é total, exigente e apaixonada.
Depois, na calmaria da realização, na satisfação da ansiedade, a realidade busca respostas. Busca conciliação, mas parece que não é fácil chegar a ela.
— O que vamos fazer, Carlo? Draco acredita que nosso relacionamento é profissional.
— Eu sei. Lica também. Não gostaria que isso tivesse acontecido, ou melhor, gostei de ter acontecido e, de fato, no início era profissional.
— É, mas a história da roteirista se tornou verdadeira. – diz Farah, ainda nos braços de Carlo.
— Acha mesmo que é isso que aconteceu? Não acha que só estamos envolvidos justamente por causa do roteiro?
Farah se afasta dele abruptamente.
— Acha isso? Então devemos, nós dois, voltar imediatamente para casa e esquecer isso. Esqueceremos de nós dois. Mesmo porque, certamente em próximas gravações teremos outros parceiros.
— Não sei, sendo bem sincero contigo, não sei.
— Vou embora. – diz Farah, entre magoada e com um medo insano de perdê-lo.
— Não vá, fica comigo. — exclama Carlo, segurando as mãos dela.
Ela se senta desolada, não sabendo o que fazer, a quem atender. Se ao coração do momento, ao coração do passado.
— Por que razão a gente ama? Não deveria acontecer assim. Eu amava Draco de verdade, quando fiquei com ele… mas agora, amo você. Sei disso.
— Você é a primeira que eu realmente sinto que amo, Farah. Não sei se já amei antes.
— Mas é tudo confuso. Isso é amor, ou é resultado do envolvimento do roteiro?
— Por que questiona? Com roteiro ou não, nos envolvemos, nos amamos e estamos nos angustiando por nossos outros parceiros.
Farah se encosta na cadeira, cansada, ansiosa. E não consegue ficar sem pronunciar as palavras que magoam Carlo:
— Mas eu amava Draco, verdadeiramente. E foi por um roteiro também.
Carlo se afasta. Levanta-se, pega a jaqueta e se dirige para a porta.
— Não nos vemos mais então, Farah. Não seremos mais designados como par, segundo as políticas dos diretores e produtores. Vamos continuar então com nossos amores antigos. Vamos nos esquecer de nós.
Farah não tem palavras. Sente a paixão por Carlo, mas sente a vida, a vivência que tem e teve com Draco. Fica sem ação.
Carlo, vendo-a inerte, resolve ir embora. Com o coração aos pedaços e a tristeza tomando conta, abre a porta e se vai.
O tempo passa, moroso para ambos e também para seus pares, pois a dedicação ao outro muda. A educação permanece, pelos princípios respeitados, mas os pensamentos não estão sob controle das vontades. Eles são ardilosos e penetram nas mentes dos amantes, sem ao menos serem percebidos.
Provocam ansiedades, irritação com coisas banais, vontades antes nunca percebidas, insatisfações com coisas antes tidas como comuns. Enfim, emoções nunca antes vividas, de ambos os amantes, ligadas ao roteiro anterior, começam a minar suas vidas nos relacionamentos atuais.
Farah e Carlo se encontram somente em ocasiões em que os sets de filmagem coincidem. E, nessas vezes, os corações aceleram, os olhos de ambos perdem-se nos olhos do outro.
A vontade de ambos de que os bastidores e camarotes sejam novamente refúgio para eles é quase que totalmente incontrolável. Mas, a ideia dos princípios ainda vigora e os mantém afastados.
Não há como negar. A situação fica cada vez pior.
Um ano se passa entre momentos de encantamento e angústia para ambos. Separados, mas ainda atraídos loucamente um para o outro.
Farah e Carlo tentam a todo custo descobrir o mesmo envolvimento que há entre eles com seus parceiros do momento. Às vezes, conseguem algo próximo, algo semelhante e isso acomoda um pouco seus corações. Mas nunca é suficiente. Nunca é o mesmo que envolveu os dois naquele dia, naquele ano, com aquele roteiro.
E, novamente, eles são escolhidos como personagens, parceiros da nova série. O público aplaude as escolhas eos aplaude, e ambos ficam muito felizes e ao mesmo tempo receosos e percebem novamente seus valores questionados e seus relacionamentos oficiais em jogo.
Farah credita o ocorrido ao destino. Carlo credita ao coração que não pode negar o que sente. Fica em dúvida, vez por outra, se está ligado à realidade ou se está também seguindo algum roteiro na sua cabeça. Mas isso não é o mais importante.
O mais importante é que as filmagens começam na semana que vem e Lica já está avisada. Lica é tranquila e sempre demonstra muito amor a Carlo. Embora estejam juntos há vários anos, ela sempre o vê como o amor de sua vida. É sempre gentil com ele. Ele é sempre gentil com ela.
A relação entre os dois é de muita amizade. É difícil para ele pensar em Lica como pensa em Farah.
Farah é algo à parte, algo acima do comum, é uma paixão estonteante, absurda. Seu coração o atropela, cada vez que a vê, cada vez que lembra do toque dela, do olhar e sorriso que ela tem.
Lica o tira dessa bruma de pensamento, chamando sua atenção para o trabalho que faz. Lica é restauradora. Envolve-se em restauração de museus. Muitas vezes viaja a trabalho e, com as filmagens, Carlo também se afasta.
— Carlo, quando mesmo viaja a trabalho? Vão filmar aonde, dessa vez?
— Ah! Sim, querida. Vamos para o norte do país, onde, no momento certo, estaremos no verão, o que facilita o roteiro. A produção está caprichada nessa série. Estão botando muitos créditos agora. Acho que faremos muito sucesso. Bem, também vai depender da audiência, não é?
Lica se aproxima e o abraça.
— Tudo o que você faz agrada ao público, querido. Você é muito bom no que faz.
Carlo a abraça. A amizade deles é verdadeira, não pode negar. Ela realmente cuida dele e ele dela, mas nem isso o faz esquecer Farah. Agora então que estarão juntos de novo, ele sabe que as decisões de ambos vão ficar ainda mais complicadas. Estarão novamente próximos, e separados ao mesmo tempo.
Próximos fisicamente e separados pelos princípios e conceitos que regem suas vidas.
Os dias que antecipam a partida de Farah também a atingem. Draco, momentos antes, a tinha presenteado com um lindo anel. Era o plano deles se casarem assim que as filmagens dessa próxima série terminassem. Ela concordou.
Ela ama Draco, desde a última série que fez com ele como parceiro.
— Será que ela é regada a doçuras de roteiro? Ama sempre o protagonista masculino com quem atua? Sou tão instável assim?
Esse é um dos pensamentos dela, quando se vê questionando sua relação com Draco. Estar com Draco, ter a cumplicidade dele, sonhar com ele para o futuro é sempre algo muito bom, sente Farah. Mas estar com Carlo, sentir seu corpo vibrando junto ao seu, suas mãos acariciando, sua respiração perto e o sabor de sua boca… aaahh!
— Pare, Farah! — impõe ela a ela mesma, como se ela e seus pensamentos fossem entes separados.
Ela precisa parar com isso, não sabe como, especialmente agora que a data do encontro com a equipe da nova série e, entre eles, Carlo, está cada vez mais perto. Ela odeia e ama essa possibilidade. Não se sente leal a Draco. É um momento angustiante. Ela olha para ele, buscando sentir o mesmo que sente com Carlo, mas não! Nada acontece.
Ela sorri para ele para ver se a covinha que ele tem no rosto a encanta como a de Carlo o faz. Mas não! Não funciona. Ela continua pensando em Carlo. Teve paz por algum tempo, até ser avisada da nova convocação com ele. Tudo voltou, lembranças de estarem juntos, mesmo entre os holofotes do set de filmagem, ou no camarim… tudo volta e ela se desespera.
— O que há, querida? – pergunta Draco, notando seu rosto apreensivo.
— Ah! Nada. Estou pensando na nossa separação para o trabalho. Vou sentir sua falta.
— É verdade, mas logo você volta. Eu também fui convocado para aquele seriado. Vamos ficar longe um tempo, mas sinto que isso sempre renova nosso amor, não acha?
— Sim! – diz Farah, incapaz de encará-lo. – podemos nos encontrar nos fins de semana ou nas quinzenas, dependendo de como serão as gravações, não é?
— Ah, sim… logo teremos dinheiro suficiente para escolhermos nosso trabalho. Aí ficaremos mais tempo juntos. Por agora, precisamos desses contratos.
Sim, é assim que as coisas funcionam para determinadas profissões, para casais que agem juntos para seus futuros.
Assim é o ritmo de Farah e Carlo em seus relacionamentos.
O hotel é maravilhoso. Grandes pencas de flores caem do teto, enfeitando graciosamente os vasos estrategicamente colocados lá. Pendurados nas telhas transparentes que permitem a entrada de luz e iluminam o vão redondo, onde está a recepção, e as salas de uso para os hóspedes.
Nos vários andares rodeando o centro interno daquele prédio magnífico, ficam os quartos com os elevadores panorâmicos. Cada hóspede, subindo aos seus aposentos, vê, pela transparência do elevador panorâmico, o bom gosto do arquiteto que desenhou aquela estrutura.
Dos elevadores, vê-se toda a recepção, o bar da “Happy hour”, as entradas para as salas da sauna, sala de jogos, sala de ginástica, o ginásio com as piscinas, e muitas outras salas que servem hóspedes que vão para aquela cidade praiana, em busca de descanso.
A equipe principal da série está hospedada aí. Cada um passa pela recepção e recebe sua chave.
Farah o vê de longe. Acena, sorri e vai para seu quarto. Eles são, de novo, o casal protagonista. Sua parceria anterior os consagrou como eternos amantes para os espectadores e eternos bons resultados para os produtores. Com os dois, é muito mais lucrativo o retorno das séries.
A equipe vai se reunir no dia seguinte para o começo das filmagens. O mar azul, o som das ondas, o cheiro salgado e a areia branca agora contrastam com a escuridão da noite. As estrelas e a luz da lua iluminam a praia e colocam um rastro branco nas águas que deixa os olhos verem o contorno de montanhas e dos navios ao longe.
Farah sai no terraço para saudar aquela paisagem maravilhosa. Descobre que os organizadores a colocaram ao lado de Carlo, quando ele também sai no terraço na mesma busca que ela.
— Olá, nos puseram quase juntos. – diz Carlo.
— Sim, não dão “ponto sem nó”. — diz Farah.
— O que quer dizer?
— Ora, nada não… nada não.
Ambos entram ao mesmo tempo para seus quartos, sentam-se em suas camas e continuam apreciando a paisagem de lá.
Ambos sabem que, se ficarem perto, vai acontecer o que mais desejam, mas também o que mais tentam evitar. O trabalho deles é atuar com verdade em seus papéis e eles já leram, pelo menos, os rascunhos do roteiro que não será mudado se der certo.
Ambos já sabem que precisarão de mais força que da última vez para resistirem um ao outro. O roteiro não ajuda em nada. É quente, sensual e envolvente.
E as filmagens começam.
Os personagens em que eles atuam, no começo, são distantes, têm até algumas animosidades, mas aos poucos vão se conhecendo e apreciando cada vez mais um ao outro. É a fórmula padrão do sucesso, uma vez que, testado, bem sucedido, é obviamente repetido… é o que o público quer, quando os vê atuando.
Mas o público quer mais. Mais ação, mais amor, maior proximidade e, segundo as estatísticas que gerenciam os caminhos a seguir, os diretores começam a dirigir os personagens para encontros mais quentes, situações mais sensuais, jogos mais excitantes.
Farah e Carlo começam a viver de verdade seus personagens. Depois das filmagens encerradas, no final do dia, depois das reuniões da equipe, depois dos jantares programados, o encontro no terraço é fatal.
Lugar que assegura os dois se amando sem barreiras, os corpos se entrelaçando sem bloqueio, os beijos e abraços satisfazendo a sede de amor e paixão, que em público, precisa ser contida.
Nos fins de semana de folga, Farah volta para casa e faz seu melhor para não se deixar denunciar. Conversa com Draco e procura saber dele e de seu trabalho.
Carlo busca em Lita a compreensão de sempre. O amor que ela demonstra por ele parece ser o suficiente para os dois.
A volta para o trabalho fica cada vez mais desesperada. Ambos anseiam voltar, anseiam se encontrar e de novo participar de tudo o que foi taxado de proibido e errado por eles mesmos.
Como esperado, a série se torna mais um sucesso. E, novamente, por quase um ano, esses encontros se repetem.
Ambos se amando, e ambos amando os parceiros de sempre. Os parceiros encarando o trabalho de ambos com seriedade e executando seus trabalhos também com seriedade.
Sempre há o último capítulo.
Os produtores resolvem encerrar a trama. O último capítulo é gravado e a expectativa do término é novamente cheia de angústia e apreensão.
— Farah, vamos nos separar novamente.
— Sim, Carlo! Vamos nos separar.
— Não vamos mudar nada? Não vamos agir diferente da outra vez?
— Não! O que podemos fazer? Draco me disse que casaríamos assim que essa série terminar. Não sei como mudar isso.
— Vai se casar? – exclama Carlo, deixando-se cair pesadamente na poltrona do camarim que tantas vezes os aconchegou.
— Sim, vou embora, vou me casar. – diz Farah, fechando sua última maleta e caminhando para a porta.
Carlo a olha desolado. Não tem forças para nada. A deixa ir. Não diz mais nada. Fica sentado, tentando se conformar com a decisão tomada radicalmente por Farah.
Ambos voltam para seus parceiros. Farah realmente se casa. Sua fama provoca notícias em muitos jornais e revistas.
Carlo a cumprimenta publicamente. Embora tenha sido convidado, assim como todos daquela equipe, ele se desculpa, dizendo estar de férias. Aproveitando o descanso merecido.
Farah celebra seu relacionamento com Draco, agora oficializado. Não sabe explicar aquilo. Ama Draco, ama Carlo, de maneiras diferentes, mas os ama.
Carlo tenta se isolar do mundo, ignorando qualquer notícia a respeito de Farah. Já se dispõe para o próximo projeto de sua produtora.
— Quem sabe, me envolvendo novamente, acabo ou diminuo essa inquietação que tenho por Farah? – O pensamento que o consola, que o remete a outros mundos e o acalma um pouco.
Farah, junto com Draco, vive a vida também agradando Draco o mais que pode para diminuir um pouco sua culpa.
Seu mantra de redenção é parte de seu pensamento.
— Eu amo Draco. É um amor diferente do que tenho por Carlo, mas é amor. Estou certa disso. – é com esses pensamentos que ela se redime um pouco da culpa que sente.
O destino é maroto, quando quer. Sem titubear, planeja novamente unir os dois.
Empresas de marketing entendem que o casal protagonista da última série é o ponto nevrálgico para o aumento da venda de seus produtos. Assim, empresas de cosméticos, empresas de roupas, empresas de carros e muitas outras se colocam em fila para conseguir um pouco do sucesso que o casal angariou com a série e aplicá-lo aos seus produtos.
Depois do casamento, da lua de mel, Farah é convidada insistentemente para representar tais produtos. Juntamente com Carlo, é óbvio.
— Draco, acho que não vou aceitar. Acabamos de nos casar, e quero ficar um pouco mais com você.
— Sim, querida, mas não esqueça que com esses patrocínios, teremos nossa independência financeira mais rapidamente.
— É verdade. Vou pensar no assunto. – a empresa de cosméticos espera até amanhã minha resposta.
— Sim, pense bem. – diz Draco, a abraçando-a.
— Bem, é um compromisso de três dias. E por esse montante, acho que vale a pena… sim, você tem razão, querido. – diz Farah encarando Draco, que se ocupa da leitura do contrato.
— Sim, você fica uma semana fora somente. – diz Draco, sem poder estimar o que isso significará para ele… e para ela.
— Está bem. – diz Farah.
Mas, Draco continua, ao ler todo o contrato.
— Carlo será seu parceiro, de novo. Não havia visto ainda, mas é lógico. Foi com ele que você fez o sucesso na série, normal que as empresas patrocinadoras os queiram de novo.
Farah fica a olhar Draco. Ele não supõe nada, não se importa, ou não imagina… ou imagina e não liga. Ela não entende de fato o que se passa na cabeça dele.
O mesmo ocorre com Carlo. Lica sempre aprova as parcerias dele. Não o questiona. É medo de perdê-lo, é ingenuidade, é desligada somente, ou o quê?
E ambos partem para se encontrarem novamente por, pelo menos, uma semana. Isso é organizado pelo destino, ou simples coincidência? O que acontece com os dois, envolvidos com tramas esquisitas, que quando juntos, explodem o mundo e quando separados, explodem seus corações. Mas permanecem assim, nessas idas e vindas.
O novo encontro para a gravação do comercial é agendado novamente em um hotel praiano. A ideia é promover o bronzeador. Ela é a melhor modelo para isso. É branca como a neve. A ideia do marketing é que ela precisa da melhor proteção possível.
Estão juntos novamente, e o tempo de cena estimado é de três dias. Dependendo do envolvimento entre os dois, que é fato já garantido pelas duas séries que atuaram juntos e também pelo clima que, sendo natural, fica à mercê do improviso.
Ela está linda e desce para o jantar em um vestido azul, de tecido aveludado, parecendo uma viola da gamba azul – é o pensamento de Carlo quando a vê, sorri e corre para recebê-la.
— Senti sua falta. — murmura ele nos seus ouvidos.
O sorriso dela a essa fala não nega as faíscas que acontecem quando eles se encontram e se tocam.
— Eu também. – ela responde, olhando intensamente para os olhos negros dele que escurecem mais ainda quando está junto dela.
Todos os outros da mesa, a recebem também com presságios de bons resultados. É óbvio que ainda existe muito sex appeal dos dois, entre os dois.
É fatal o roteiro apelar para o encontro dos dois. Para a proteção do bronzeador da pele branca e frágil dela, aplicado por ele. Aquelas mãos grandes, esparramando aquele creme suave, cheiroso e protetor. Com massagens suaves e por todo o corpo dela, muitas e muitas vezes, naquele corpo com aquele biquíni estonteante.
A sugestão do roteiro permite improvisação de ambas as partes e, fatalmente, os olhos dele percorrendo todo o corpo dela, enquanto esparrama o bronzeador mágico, é registrado com paixão pelos “cameramen”. Assim como os olhos dela percorrendo os ombros largos dele, que se movimentam enquanto suas mãos a protegem com o bronzeador mágico.
Os resultados são explosivos de novo. Ambos se entendem, se coadunam, se encaixam, fazem bem um ao outro.
No hotel, as conversas fluem, com Carlo sempre chamando a atenção dela para a harmonia que os une.
Seus encontros esporádicos sempre os levam a uma explosão de paixão, sempre dando a impressão do mundo prestes a acabar. O resultado é uma satisfação fenomenal imediata e uma frustração antecipada da iminente separação que sempre acontece ao final dos contratos.
Quantas vezes mais isso pode acontecer? Destino, coincidência, sorte, azar? Não sabemos.
Há muito mais que posso te contar. Futuros contratos e as decisões sempre iguais da separação ou um plot twist — uma reviravolta na trama — para alegrar nossos corações?
Ambos voltam, mais uma vez, para seus parceiros de sempre?
Continuamos com mais encontros ou paramos aqui? Vou depender de você. Eles são jovens, temos muita vida pela frente.
Deixe seu comentário se gostou desse romance inacabado e mal resolvido. Me diga se quer que eu conte mais aventuras dessa dupla indecisa e de seus parceiros que não se revoltam ou não se ligam ao que acontece com eles.
Comente. Se você quiser, conto mais para você.
Teremos, afinal, um final diferente? Alguma surpresa virá desses amantes esporádicos? Amor de verdade não merece uma, duas, três chances?
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