O Papai Noel Errado
PRÓLOGO
“O Papai Noel Errado”, versão romântica, divertida, natalina e com uma pimentinha sexy na medida, leve, envolvente, com humor e química.
Prepare seu coração… e seu gorro de Natal.
A decoradora Clara trabalha todos os anos na montagem da Vila de Natal do shopping. No dia da inauguração, o ator contratado para ser Papai Noel falta, e o gerente, desesperado, coloca no lugar o segurança novo: Luca, alto, bonito, nada preparado para crianças… e muito menos para Clara.
Ele fica péssimo no papel, mas as crianças adoram. Clara tenta treiná-lo, mas quanto mais o instrui, mais os dois acabam colados — literalmente — enquanto ajustam a barba, ajeitam o cinto, arrumam o gorro.
E Luca adora provocar, dizendo:
— Se eu for o pior Papai Noel do mundo… posso pedir uma ajudante que me treine à noite?
Clara finge indignação, mas as bochechas denunciam.
O romance cresce entre luzes piscando, adultos se perdendo no estoque de decorações e renas infláveis caindo na cabeça de Luca.
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A HISTÓRIA
Ele era o Papai Noel mais errado que se pode imaginar.
Clara era a personificação da eficiência natalina: coordenadora de decoração do Shopping Estação Nevada, responsável por árvores monumentais, renas brilhantes e a famosa Vila de Noel que todo ano atraía crianças, adultos, influenciadores e uma quantidade questionável de marmanjos nostálgicos.
Ela amava o Natal. Mas amava ainda mais quando tudo estava “perfeito”.
Por isso, quando faltavam exatas três horas para a inauguração oficial da Vila, e o ator contratado para ser o Papai Noel simplesmente não apareceu, Clara sentiu sua alma deixar o corpo, caminhar até a Praça de Alimentação, pedir uma rabanada e desistir da vida.
— Não acredito… — murmurou, apertando o celular. — Ele desligou. Ele “desligou” na minha cara!
O gerente, Roberto, suava mais do que o boneco de neve inflável quando desarma sozinho.
— Clara, a gente precisa de um substituto! Agora! Qualquer um que caiba na roupa!
Ela ia responder “não existe ninguém”, mas então viu, encostado num pilar, braços cruzados, expressão blasé, o novo segurança do shopping: “Luca Moretti”.
Alto. Forte. Barba cerrada, castanha, perfeita para o papel. E um olhar que parecia dizer: “Não me envolva nisso.”
Clara caminhou até ele com determinação de elfa desesperada.
— Luca… por favor… preciso de você.
Ele arqueou uma sobrancelha, preguiçoso.
— Geralmente é assim que começam histórias perigosas.
— Nosso Papai Noel sumiu. E você… bem… você é o único que tem barba, altura e zero medo de crianças.
— Eu tenho medo de crianças. — rebate ele.
— Não tem, não. — insiste Clara.
— Tenho sim, especialmente as pequenas. Elas mordem. — falando isso, ele se desencosta do pilar, ficando ereto, cruzando os braços e olhando para ela de cima.
Clara segura o braço dele — firme, decidida, um toque que fez Luca olhar diretamente para ela pela primeira vez.
— Luca. Você é minha única esperança.
Ele suspirou como quem topa uma missão impossível.
— Tá. Mas aviso desde já: eu vou ser um péssimo Papai Noel.
Clara sorriu.
— Tudo bem. Eu conserto você depois.
Ele estreitou os olhos e murmurou baixo, quase um convite:
— Promete que vai me consertar direitinho?
Clara gelou. Ou melhor: ferveu.
Isso estava prestes a ser… muito mais complicado que Natal.
Luca precisava aprender a se comportar como Papai Noel, segundo Clara.
Um provador foi improvisado nos fundos da loja.
O provador improvisado virou caos.
Clara tentava vestir Luca com o traje vermelho tradicional. Ele, por sua vez, parecia que tinha sido esculpido para “não caber” em roupas de veludo.
— Luca, relaxa o ombro!
— Esse é meu ombro relaxado. — dizia ele, inclinando-se para ela.
— Então relaxa mais!
— Já tô praticamente morto!
Ela puxava o casaco para fechar. Ele inclinava o corpo para ajudar. A máscara da barba encaracolada prendia no cabelo dele. Clara tentava ajustar. Luca segurava a cintura dela para não perder o equilíbrio.
E a cada segundo, os dois ficavam mais perto, mais próximos, mais… perigosamente juntos.
— Fica quieto — ela ordenou, tentando fechar o cinto.
Você fica me mandando ficar quieto, mas fica encostando em mim desse jeito… difícil, viu? — murmurou ele com um sorriso de canto.
Clara travou a fivela com força demais.
Ai! — Luca reclamou. — A ideia é me castrar já no primeiro dia?
— Desculpa! É que o cinto não fecha…
— Talvez porque você tá usando força de quem montou três árvores de Natal sozinha.
— “Quatro”. — ela disse, orgulhosa.
Ele riu. Um riso profundo que reverberou nela como um choque elétrico.
Quando Clara terminou finalmente de ajustar o traje, deu um passo atrás para avaliá-lo.
E parou.
Luca era… sem dúvida… o Papai Noel mais errado da história.
No sentido… certo.
Alto, forte, com um brilho nos olhos que dizia “Natal vai ser uma bagunça deliciosa”. A barba falsa deixava a boca dele ainda mais tentadora. E o casaco, um pouco apertado demais, destacava detalhes que Papai Noel nunca deveria destacar.
Clara engoliu seco.
— É… ficou… — ela pigarreou. — Ficou bom.
Ele tocou a barba.
— Não acredito que vou passar o dia vestido assim.
Pausa.
Um sorriso lento.
— Mas se você for minha ajudante… talvez valha a pena.
Clara corou até o Polo Norte.
— Eu vou ficar “vigiando” você. — diz ela.
— Hum. Melhor ainda.
Luca era o Papai Noel que todo mundo amaria, exceto Clara.
Era para dar errado.
Mas Luca, o suposto desastre ambulante, virou sucesso instantâneo.
Ele não seguia o roteiro.
Não dizia as frases certinhas.
Inventava respostas, contava histórias absurdas, ria alto, deixava as crianças colocarem o gorro torto nele.
E as crianças… o “adoraram”.
Clara observava de longe, braços cruzados, tentando manter postura profissional. Mas a cada vez que Luca piscava para uma criança, a cada risada, a cada pose desajeitada… ela derretia um tiquinho.
Só um tiquinho.
Ok, talvez vários tiquinhos.
Foi quando uma garotinha subiu no colo de Luca e perguntou:
— Papai Noel, a sua ajudante é aquela moça ali?
Luca nem hesitou. Apontou para Clara.
— É sim. É a ajudante mais bonita que já tive.
Clara arregalou os olhos.
A garotinha virou para ela e acenou.
Os pais olharam os dois… com cara de “humm, tem coisa aí”.
Clara quis cavar um buraco e morar nele.
Quando encerraram o turno, Luca tirou a barba e se aproximou dela com um sorriso sacana.
— Ajudante mais bonita, hein? — ela disse, cruzando os braços.
— Só falei a verdade — ele respondeu. — E a verdade fica ainda melhor quando você fica desse jeito, tentando parecer brava.
— Eu “estou” brava.
— Não está. — Ele deu um passo mais perto. — Se estivesse, não teria ficado vermelha quando eu falei.
Meu Deus, ele percebeu!
Clara tentou recuar, mas ele segurou gentilmente seu braço, suave, quente, firme o suficiente para deixá-la tonta.
— Clara… — ele disse baixo. — Você precisa parar de fugir sempre que eu chego perto.
— Eu não fujo.
— Fugiu agora. Fugiu ontem. Fugiu quando eu tirei a barba e você quase engoliu o ar.
Clara travou.
Ele sorriu.
— Viu? Fugiu de novo.
Ela arregalou os olhos, indignada, mas… ele tinha razão.
— Eu não estou fugindo — murmurou. — Só estou… ocupada.
— Se quiser, posso te ocupar mais um pouco. — diz Luca, provocando.
Clara perdeu o ar.
As luzes piscam, os corações piscam e derretem!
A inauguração oficial da Vila terminaria com o acender das luzes da Árvore Gigante, um momento que Clara sempre amava.
Mas naquele ano… havia algo (ou “alguém”) chamando mais atenção que os enfeites.
Depois do expediente, Clara e Luca estavam sozinhos ajustando alguns detalhes finais. As luzes piscavam baixas, criando um clima absurdamente íntimo, o que não ajudava em nada quando alguém tão grande, tão charmoso e tão insolentemente sexy estava ao lado.
— Clara… — Luca começou, aproximando-se da caixa de tomadas. — Acho que essa fileira queimou.
— Não queimou — ela respondeu. — Só está solta. Me dá um segundo.
Ela se abaixou para arrumar o plugue. Ele se abaixou junto. Ficaram tão perto que Clara sentiu o cheiro dele — delicioso, quente, masculino.
Ela engoliu seco.
— Consegui — ela murmurou, mexendo nos fios.
Quando levantou o rosto… Luca estava encarando-a.
Sério.
Focado.
Desejando.
— Você precisa parar de fazer isso — ele disse, voz rouca.
— Fazer… o quê?
— Fingir que não sente nada.
Clara abriu a boca para responder, mas não houve tempo.
As luzes da árvore acenderam com um estalo.
Um brilho dourado iluminou os dois.
Clara estava ajoelhada.
Luca estava abaixado à frente dela.
Luzes cintilantes refletiam nos olhos dele, criando uma aura quase cinematográfica.
Perigoso.
Lindo.
Inevitável.
Ele tocou o queixo dela.
Devagar.
Com reverência.
— Me diz que não quer — ele murmurou. — E eu paro agora.
Clara sentiu o chão sumir.
E, pela primeira vez, não quis que nada parasse.
Ela sussurrou:
— Não digo.
Luca sorriu — um sorriso lento, quente, cheio de promessa — e a beijou.
Foi um beijo apaixonado, envolvente, demorado.
Foi um beijo profundo, excitante, intenso, daqueles que tiram o ar, o equilíbrio, a lógica… e o resto do mundo.
Clara agarrou a camisa dele.
Ele a puxou pela cintura.
Luzes piscavam ao redor, como se o shopping inteiro estivesse celebrando.
E, por alguns segundos longos e deliciosos… eles esqueceram o Natal, o trabalho, o mundo.
E lembraram apenas um do outro.
Então, Luca, que era um problema, virou solução.
Depois do beijo, Clara tentou manter a compostura. Tentou mesmo. Mas era difícil ser profissional quando o Papai Noel improvisado tinha se tornado a melhor parte do Natal.
Eles passaram a trabalhar juntos nos dias seguintes.
E Luca fazia questão de provocá-la.
— Ajudante mais bonita do Polo Norte.
— Não começa, Luca.
— Tá bom… então digo “a ajudante que eu quero beijar atrás da árvore.”
— LUCA!
Ele ria. Ela corava. E, invariavelmente, acabavam se beijando atrás da árvore.
Clara fingia que odiava, mas não conseguia, não quando Luca a olhava como se ela fosse o primeiro e último presente de Natal entregue no universo.
No último dia da campanha, Luca se aproximou dela antes do turno.
Sem barba branca.
Sem gorro.
Sem fantasia.
Só ele.
E aquele sorriso.
— Clara… tenho uma proposta séria — disse ele.
— Hum? — ela perguntou, tentando não encarar demais o belo contorno dos braços dele sob a camiseta.
Ele entregou uma caixinha pequena.
Dentro dela, um gorro vermelho, igual ao dele, mas com o nome dela bordado.
Clara piscou.
— É pra quê?
— Pra ser minha ajudante oficial de Natal.
— Só de Natal?
— De todos os dias. Se você quiser.
Clara riu, emocionada.
— E o que eu ganho, se aceitar?
Luca inclinou o rosto, aproximando os lábios do ouvido dela.
— Eu — ele sussurrou. — Sem barba falsa. Sem horário. Sem fantasia apertada. Inteiro. Só pra você.
Clara perdeu completamente a compostura.
— Acho que… — ela sorriu, puxando-o pelo colarinho — …aceito o trabalho.
Ele a beijou de novo — agora com todas as luzes do shopping acesas, todas as pessoas passando, todas as decorações brilhando.
E ninguém reclamou.
Porque parecia que o Papai Noel errado e a decoradora perfeita tinham encontrado exatamente o presente que faltava no Natal:
Um ao outro.
Com direito a laço vermelho, faíscas e pimentinha na medida certa.
O que você achou? Gostou? Gostaria de um final diferente? Afinal, é possível isso, porque a vida é cheia de surpresas e, como tal, permite todo tipo de imaginação e sonho adaptado ao considerado “oficial”.
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