Foi Assim Que Começou – Capítulo 1

CAPÍTULO 1 — FOI ASSIM
QUE COMEÇOU
OU: UM ÚNICO AMOR DE MUITOS LUGARES.

PRÓLOGO
Essa história não cabe em alguns minutos somente. Então a dividi em partes. Vou contar minuciosamente cada parte para você.
Escrevi seis capítulos dela. Vou postar um a um para você.
Acho que você vai me compreender. Vamos lá…
O que é o amor? Algo mágico que une duas pessoas, algo que age por conta própria ou um ente tipo “O cupido” que se diverte decidindo destinos, uniões, separações? Armando encontros, ou desencontros, paixões e encantamentos?
Ou é algo pessoal, decidido por cada um de nós, com convivência, parceria, solidariedade, companheirismo? Paciência e insistência, adaptação ou… não!
Tudo bem! Ambas as propostas são clichês, mas… é o que temos para hoje.
O que atrai um ao outro? Uma à outra? O que nos une?
Enfim, especulações existem desde que o mundo é mundo e, certamente, não esgotaríamos o assunto em um só conto.
Então…
Camila e Tomás serão objeto de nossas observações. Serão protagonistas de nossa história e, se no final conseguirmos alguma ideia sobre o que os une ou os separa, que isso sirva de ponto de partida para algum conhecimento sobre o mistério do que chamamos de amor.
Agora, o que o cupido armou para o primeiro encontro?
Quer saber mais? Continue comigo. Me conta se gosta desse jeito de contar histórias, faça comentários, deixe um like e volte sempre.

A HISTÓRIA
Um estampido agudo, sibilante como um tiro, atinge o ambiente divertido e barulhento do bar da piscina naquele resort e tudo, de súbito, emudece. O eco rebate teimoso em várias paredes até ganhar liberdade na área da piscina.
Faz com que todos os seres viventes presentes pulem, corações saltem e almas atordoadas tirem um tempo acreditando que já devem partir… mas voltam… são segundos que parecem dias.
A música para, as vozes se calam, os olhares se cruzam pelo ambiente, as bocas se abrem, procurando a origem do barulho e forçando uma decisão… a de ficar, se esconder, simplesmente correr ou paralisar, congelar.
Silêncio mortal recai sobre todos no ambiente.
A maioria paralisa e olha estupefata na direção dela.
Ela sorri, ainda não percebendo o caos à sua volta.
— Arre! Consegui! — ela exclama.
Tudo isso enquanto ainda se mantém em seu mundo, isolado do ambiente em que se encontra, olhando feliz para a tampa da lata que, finalmente, consegue abrir.
De repente percebe que não ouve mais os sons que ali habitavam, sente o peso dos dedos apontando responsabilidade todos para ela, levanta os olhos da lata que, afinal, conseguiu abrir.
Pelos olhares apavorados avistados, que já lançam flechas flamejantes, acusatórias, ainda procurando a origem do estalo, ela percebe o que aconteceu.
— Sinto muito, foi a tampa da lata que estourou!
Encolhe os ombros, dá um sorriso sem graça, abre os braços, virando as mãos, tentando ainda se desculpar.
Com certeza, constata-se que o eco do local é poderoso!
Um aroma de chocolate com menta a atinge, mas ela não se vira.
Os olhares feios, os divertidos, os assustados e os nem tanto voltam, aos poucos, a seus afazeres pré-estalo.
Ela bebe da lata protagonista do momento, rindo e embaraçada ao mesmo tempo. Continua olhando para frente, tentando sair do “modelo destaque” do momento.
Ela pega o chapéu sobre a mesa, enrola os cabelos e os prende com o chapéu. Pega os enormes óculos escuros e os veste cuidadosamente.
O seu vizinho de cadeira, de costas para ela, ainda a encara, procurando ver seu rosto. Mas não consegue, lógico, pois ela se levanta e caminha para o lado oposto de onde ele se encontra.
É identificada somente pelo perfil sinuoso, o traseiro que rebola e a leva para a piscina.
Aquele dia, exceto por esse pequeno incidente que a colocou em evidência, como se luzes de neon apontassem para sua cabeça, estava sendo tranquilo, até então.
Os dias dela naquele país estrangeiro, naquele resort, estão sendo divinos.
Sem reclamações, sem cobranças, sem gente mal-humorada por situações incompreensíveis para ela. Sem prestação de contas para ninguém, a não ser para ela mesma.
Aliás, sem entender muita coisa, pois, não sendo sua língua nativa, nem sabe o que falam à sua volta.
Começa até a considerar aquilo como uma vantagem a ser usada, mesmo quando estiver de volta ao seu país: não escutar o que é falado à sua volta.
Ali, há somente Quita, ou Quitinha, na sua conta. A irmã que ela ama e que a acompanha.
Continua seu caminhar na direção da piscina, ainda seguida por olhares, mesmo que de costas, para onde Quita está.
— Camila! Venha para a água! Está uma delícia.
Alguém ainda no bar, sussurra para si: — Camila! Lindo nome.
— Agora não, querida. Vou ficar aqui na beirada — responde ela para Quitinha.
O olhar de dentro que a seguiu o tempo todo ainda a segue e acha interessante aquele corpo movimentar-se e aquela voz se expressar com palavras totalmente incompreensíveis para ele.
Quitinha percebe.
— Camila, aquele cara não para de olhar para você.
— Não se importe com isso, querida. Todos nós olhamos uns para os outros aqui — diz Camila, sem se virar, rindo da observação da irmã.
Nada naquele momento a faria se interessar por alguém, agora do outro lado do mundo.
Sua relação habitual a ensinou a não se apegar, pois apego só lhe trouxe problemas.
Para ela, bastava agora aquele verão, Quita feliz e suas pernas na água, refrescando-se na beira da piscina.
Depois de o sol já tê-la envolvido em cores bronzeadas, douradas, ela e Quita partem para o elevador. Hora do banho e hora do descanso.
Um aroma de chocolate com menta toma conta do elevador. Um dos dois homens que entraram antes parece ter esse cheiro. Mas, qual dos dois?
Gostoso o aroma, e assim chegam ao andar do seu quarto e de Quitinha.
Todos saem do elevador. Então eles também estão nesse andar? Sim, e um deles está no quarto ao lado do seu e de Quitinha.
O planejamento é de descanso. Banho, relaxamento nas dependências do hotel, passeio na praia ao lado, cama.
Nada demove Camila daquele plano. Nem ao menos a reclamação de Quitinha, com seus dezessete anos, querendo mais.
— Não! Pode esquecer. Se quer algo diferente, planeje com outra pessoa. Quando saímos de casa, eu disse a você o que iria fazer. Você topou!
— Tá bem! Vamos voltar. Essa areia toda vai me obrigar a tomar outro banho.
O mar, as ondas são como bálsamo para almas desgastadas, corações que sofrem e não querem mais suportar o peso da dor.
O mar acaricia o corpo, nutre a vida e envolve de amor aqueles que não querem mais da vida a não ser paz. Isso é Camila. É o que ela quer agora.
As duas sobem novamente para o quarto.

— Amanhã tem mais, Quitinha! Vou para a cama agora — comenta Camila.
— Claro, vamos sonhar com os anjos, já que você resolveu ser tão pura agora.
Camila sorri, compreendendo o que a irmã insinua.
Depois de um banho gostoso, uma camisola confortável, lençóis que atraem a vontade de aterrizar neles, enrolar-se e partir rapidamente para terras dos sonhos. Tudo quieto e somente o lusco-fusco de algumas luzes que ainda perduram lá fora.
— Camila, quero água.
— Ah! Tem dó, pega ali no bar.
— Acabou.
— Não brinca. Como assim? Não repuseram o bar hoje?
— Não sei, só não tem agora.
— Liga na cozinha, pede para trazerem.
Quitinha pega o interfone, mas não tem tempo de nada.
Tudo vira um breu, nem o céu colabora. O negrume é intenso. Toda a escuridão cobre o ambiente como uma névoa assustadora.
Quitinha tenta ligar, mas, devido ao breu, parece que concorre com uma turba de ansiosos e que todos resolveram recorrer à linha interna do hotel. A linha interna está congestionada!
Ela procura achar Camila na escuridão, mas seus olhos ainda não se acostumaram. Encolhe os ombros e chantageia:
— Tenha dó, querida! Sabe que não sobrevivo sem, ao menos, um golinho de água antes de dormir…
— Eu vou ali na máquina de gelo do corredor. Busco para você um pouco de água — comenta Camila antes que Quitinha pronuncie uma palavra sequer.
— Tá bom, mas volta logo porque estou quase dormindo.
— Ok, então durma.
E Camila sai, somente com a luz do celular, iluminando o caminho até a máquina de gelo do corredor e, no meio do caminho, também a luz do celular se apaga.
— Ah! Melhor impossível — ironiza ela.
O dia todo na piscina e na praia não a fizeram achar que precisaria carregar o celular.
Tudo fica mais assustador ainda. Ela se apoia na parede do corredor para não tropeçar nos vasos e decorações que viu durante o dia. O carpete macio neutraliza o barulho sob seus pés descalços.
Vozes ansiosas ecoam pelo corredor, querendo saber da luz. Estão longe dela, e ela prossegue.
De repente, suas mãos sentem que estão em um corpo. Alto, ombros largos, barba no rosto, cheiro de chocolate com menta.
— Desculpe! — diz ela, retirando rapidamente as mãos.
— Não por isso, eu gostei.
Ela ri, não sabe se por medo ou prazer. Um pouco dos dois, talvez. Seu coração salta. Se for quem está pensando, é algo a ser desejado.
— Eu… não estou enxergando nada e minha irmã quer água, não tem no bar do quarto. Parece que não repuseram hoje. Estou indo à máquina de gelo ver se consigo água ali.
— Eu tenho no meu quarto. Se quiser.
— Não, obrigada… Aliás, está aqui fora, por quê?
— Ah! Notei a queda de energia e saí para ver se tinha alguma informação a respeito, mas acho que não tem. Foi quando você me achou… e me pegou… — diz ele, dando um sorrisinho cochichado bem próximo do ouvido de Camila. Um arrepio estranho a percorre. Ela se afasta rapidamente.
Só agora ela percebe as mãos dele escorregando da sua cintura. Ele também a segurou.
— Ok! Boa noite. – diz Camila, sem jeito.
— Boa noite!
Ela continua em direção ao final do corredor, onde já havia visto uma máquina de gelo.

Tateia a máquina, buscando a abertura para pegar algum gelo para Quitinha. Coloca algumas pedras no copo e se vira para voltar.
Sabe que passou por duas portas. A sua é a terceira.
Começa a caminhar novamente, ainda passando as mãos pela parede. Ainda não se acostumou com a falta de luz, mas alguns contornos já se fazem visíveis.
Ela se apressa para chegar ao quarto quando tromba novamente com o cheiro de chocolate com menta. Dessa vez, ele a agarra, a beija. Ela não resiste. Corresponde e se deixa levar por ele.
Os sentidos são agora o que mais vem à flor da pele. As formas, as curvas, a pele contra a pele clamam por satisfação dos mais primitivos desejos, dos mais saborosos prazeres, dos mais condenados pecados fora da união abençoada.
Camila não resiste. Ele é sedutor, suave e forte ao mesmo tempo. Delicado e voraz, paciente e ansioso.
Sua boca percorre cada pedacinho sensível que ela permite. As mãos dela abraçam e agarram, acariciam e arranham. Tudo vira um turbilhão de explosões para ambos. Tudo se transforma numa satisfação nunca antes conseguida. Tudo produz união dos corpos jamais sentida por nenhum dos dois.
Aquilo se repete de novo e de novo até a exaustão. Ambos desmaiam um ao lado do outro. Abraçados, envoltos em si mesmos, enrolados em flashes inusitados e arrasadores.
Tomás acorda, depois de horas, com um clarão de luz nas retinas.
O sol já se coloca no meio do céu, impondo a iluminação brilhante. As luzes do apartamento ainda estão acesas. Ninguém desligou depois que a energia voltou.
Fecha as pálpebras rapidamente, estica as mãos para alcançá-la. Tateia sobre os lençóis.
Ela não está mais lá. Segura a respiração, tentando ouvir os barulhos do apartamento. Nada. Nenhum som. Ela se foi.
Com certeza está no quarto ao lado.
Tomás não tem ânimo nenhum, fica enterrado entre os lençóis ainda por um tempo.
De repente, ouve rugidos em sua porta. Com certeza é Solano.
Seu amigo veio vê-lo.
— Entre, Solano, sente-se e espere. Vou tomar um banho porque não acordei ainda.
— Estou vendo. Não acordou e não vestiu roupa. Estou vendo, amigo! — comenta Solano, rindo.
Tomás se olha, de cima a baixo e…
— É! Não tinha reparado que estou sem roupa… Espere, já volto.
Dizendo isso, ele entra no banheiro. Toma um longo banho. Tão longo que Solano perde a paciência e vai chamá-lo.
— Anda logo, senão vamos perder o almoço.
— Almoço? Não vamos tomar café da manhã?
Solano suspira. Já entendeu que Tomás não tem noção das horas.
— Você não tem nem ideia de que horas são, não é?
— É? Não tenho?
— É uma hora da tarde, cara!
— Ainda bem que estou de férias, senão já teria…
— É! Já teria…
— É que… passei a noite ocupado…
— Sei! Vamos, vista-se e vamos almoçar.
Tomás sai olhando para todos os lados, procurando Camila. Na porta do quarto ao lado, ele repara o movimento das arrumadeiras. É uma limpeza diária, troca de toalhas ou troca de hóspede? Não consegue ver muito, somente a faxineira circulando pela sala do apartamento.
No restaurante, ela também não está… almoça rápido e desce para a piscina.
Não está no bar, na piscina. Nem ela, nem aquela menininha loirinha.
Ela se foi?
Solano já lhe perguntou várias vezes o que ele estava procurando.
Alguma coisa acontece naquele coração apaixonado. Um vazio toma conta dele. Uma irritação gratuita. Uma vontade de ir embora.
Ao voltar ao quarto para na porta de Camila, quando ouve vozes. Alegra-se, percebendo movimento.
Certamente ela passou o dia em algum outro lugar, mas está de volta. Bate na porta, espera ansioso, ouvindo os passos se aproximarem. Prepara-se para vê-la.
A porta se abre. Uma senhora baixinha o atende. Olha para ele, estranhada.
— O que o senhor quer? Trouxe o sanduíche que pedi?
Onde… onde está a moça que estava hospedada aqui?
— Não tem moça nenhuma, rapaz, não está vendo? — Laércio, o que você andou aprontando? — ela grita para alguém no quarto.
— O que quer, Lucrécia? Vai começar a falar besteira de novo?
— Não, quero saber que moça é essa que esse rapaz está procurando.
— Que rapaz, Lucrécia? — diz Laércio, botando a cara na porta do quarto. — Ah! De quem está falando, rapaz? — diz Laércio.
— Não seja fingido, Laércio. Ele perguntou da moça.
— Não tem moça nenhuma, não vê?
Tomás percebeu a confusão armada. Ainda tenta se explicar, sem sucesso.
— Senhora Lucrécia, eu estava procurando a moça, não tem nada a ver com o Sr. Laércio…
Não parecem escutar…
O casal continua a discutir sobre a moça. Lucrécia não abre mão do ciúme de Laércio e a discussão prossegue, enquanto Tomás foge corredor afora.
Solano já está em seu quarto de volta.
— Quando partimos?
— No voo das sete, por que pergunta? Você já sabia.
— Sim, mas achei que você ia continuar procurando a moça.
— Ah, não. Ela se foi. Acho que foi melhor assim.
— Está bem, voltamos a lidar com nossa vida financeira — conclui Solano.
— Sim, temos que pegar os melhores cavalos para meu haras.
O herdeiro do haras Osky agora volta.

E então, no aeroporto…,
— Por que tínhamos que sair tão rápido? — pergunta Quitinha, indignada.
— Não saímos “tão rápido”. Só um pouco mais cedo! — replica Camila.
— O check-out era meio-dia e 8h já estávamos no aeroporto! Como assim não foi “tão rápido”?
— Não amola, Quitinha. Íamos voltar hoje mesmo. Um pouco mais cedo porque lembrei de algo que tenho que fazer.
— Sei! Acho que tem a ver com a noite em que você não voltou para o quarto… isto é: ontem.
— Não amola. Nosso voo já vai decolar. Vamos lá.
— Você não me engana! Ainda vou descobrir o que houve.
— Está bem, vai investigando e um dia você descobre — ironiza Camila, puxando Quitinha pelo braço no portão de embarque.
O voo não é longo, mas é suficiente para Camila relembrar muitos momentos da noite anterior. Da madrugada, da manhã, até o momento da escapada do quarto, torcendo para Tomás não acordar, ou… torcendo para ele acordar e não a deixar partir. Mas ele não acordou. Ela partiu.
Ela não podia ficar. Mais um pouco e sua vida cairia na mesma rotina. Aliás, nem saberia dizer, pois em vários momentos, mais de um dia até que foi bom, mas, com o tempo, — não, as coisas começam a dar errado.
— Não, foi o certo, foi o suficiente. Não sei quem é o dono do cheiro de chocolate com menta, nem o que faz, nem onde mora. Nada. E nada é mais do que suficiente.
É o que preenche a mente de Camila, ainda durante o voo.
— Quitinha, você quer ficar comigo ou encontrar papai e mamãe?
— Fico contigo, se não se importa. Papai está na fazenda e mamãe fica muito chata sem ele. Você é a menos chata que posso aguentar agora.
— Ah, como você é uma graça! Vamos para casa, então. Acho que meu próximo passeio vai ser na fazenda.
— Ichi! Lá só tem cavalos, touros, plantação e pessoas que gostam disso. Vai sozinha. Fico aqui.
— Nem pensar. Se eu for, você vai ficar com mamãe ou vai comigo?
— Céus! Quanto patrulhamento? Quando vai?
— No fim do mês. Papai fica lá até terminar a colheita, então ele estará lá.
— Ah, então, fico contigo por esse mês.
— É! Aproveita que está de férias e ainda pode optar.

O que você achou? Gostou?
O destino, o cupido, ou qualquer ente traquinas que gerencia o coração das pessoas vai colocá-los juntos novamente?
Aguarde, que logo postaremos o próximo capítulo. Emocione-se conosco, torça conosco pelos próximos envolvimentos dos dois.
Divirta-se e ouça a história contada nos próximos capítulos. Depois, deixe seu comentário.
Obrigado por nos honrar com sua participação.

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