Foi Assim Que Começou – Capítulo3

CAPÍTULO 3 —

SÓ UM POUCO DE NÓS DOIS.

PRÓLOGO

O que, em geral, mantém pessoas ligadas? Não é só amor.

Medo, conveniência, vantagens e desvantagens.

Isso tudo gerenciava, de certa forma, a vida de Tomás.

Já Camila se envolvia por outras razões, sendo a principal, uma culpa enorme por algo que ela não fez, mas aceitava, por alguma razão, a responsabilidade.

O problema para ela agora é que há uma atração diferente com Tomás. Ele a atrai de modo mais encantador, mais sutil e mais refinado.

Não havia ainda se deparado com isso em sua vida e, como eles vão resolver esse impasse, vai sendo desvendado nesse e nos próximos capítulos. Fica conosco.

Quer saber mais? Me conta se gosta desse jeito de contar histórias, faça comentários, deixe um like e volte sempre.

A HISTÓRIA

— Por que voltou antes? Não sabe que desorganiza toda a minha agenda? Agora tenho que ficar mais uma semana com você. — reclama Quitinha, diante da chegada de Camila.

— Volte para casa de mamãe, se quiser. Não perturbe, não estou de bom humor.

— Está brincando? Mamãe é… infernal, você sabe. Mas me conta, por que voltou antes?

Camila senta-se na poltrona. Apesar de ser mais velha, há muita harmonia entre ela e Quitinha. Às vezes Quitinha parece até mais madura que ela… talvez seja mesmo.

— Eu estava perdendo o controle. Não gostei dos sentimentos — diz Camila.

— Está gostando dele, não é? — diz Quitinha, sorrindo.

— Não! Só… só… acho ele mais atraente do que outros.

— Essa sua teimosia, esse seu propósito, essa vingança auto-imposta ainda vai te matar.

Quitinha aparenta ter, muitas vezes, mais juízo que Camila e mais conhecimento do que vai dentro do coração dela.

— Não fala besteira. Não tem vingança nenhuma — contesta Camila.

— Tá bom… acredito — comenta Quitinha, ironicamente, olhando para Camila e sorrindo entre os dentes. — É o mesmo do hotel?

— É o mesmo do hotel. — concorda Camila, esticando-se na poltrona, com a xícara de café nas mãos.

— Não é tentador ficar perto? — provoca Quitinha.

— É tentador, dá cócegas nas mãos, vontade de pegar, de ficar perto, de ir junto, de grudar… de não largar mais… mas…

— E?

— … Mas está tudo errado. Não faço mais isso. Acho que preciso aprender a desapegar. Ignorar, parar de ter emoções.

— Ah! Para com isso! Em dois anos, esse é o primeiro pelo qual você sucumbe.

— Verdade! Ele é diferente, mas nem sei se é casado, juntado, amigado, ou qualquer coisa assim…

— Do jeito que você age, isso não faz diferença, não é?

— Verdade também — diz Camila, baixando os olhos para a xícara de café.

— Descobriu quem é o Sr. Chocolate com Menta?

— Acredita que ele cheira isso? É irresistível — diz Camila, virando-se para Quitinha.

— Não vai reavaliar seus conceitos? Ele não vale a pena?

— Não! — diz Camila de forma abrupta.

— Credo… Quisera eu chegar a essa sua idade com toda essa certeza que você tem.

Camila percebe a ironia de Quitinha.

É verdade! Nos tenros vinte e poucos anos, ela faz afirmativas como dona do mundo. Dona da verdade.

Mas ela não sabe como mudar. Não sabe como recomeçar. Impôs-se alguns limites e restringiu-se a eles. Não se permite nada mais que saia daquilo já estabelecido.

— Quem é ele? — pergunta Quitinha. — Já descobriu?

— Ah! Sim, depois que… que nos encontramos na fazenda, ele quis comprar Tudor e fiquei a par de várias atividades dele.

— É? Só vai me contar isso? … anda, conta tudo — diz Quitinha, sentando-se ao lado de Camila.

— Ele transita entre os bastidores dos filmes, séries…

— Ah! E??

Quitinha fala e chacoalha as mãos. Fica cada vez mais agitada, encantando-se com o que Camila conta.

— Ele produz alguns filmes e séries e negocia com streamings. Parece que ele circula por vários setores dessa área.

Quitinha se dá por satisfeita, pelo menos por agora, mas sabe que quer muito fazer algo pela irmã.

A história da mãe que se fixou em Camila para culpá-la de todos os males do mundo paira também sobre ela, que se solidariza com o sofrimento que a mãe provoca.

Quitinha praticamente não existe para Margô, a não ser quando serve de motivo de culpa para Camila. Ninguém ali ainda entendeu a razão de Margô fazer aquilo.

E, em algum outro lugar nesse mundo… eis Tomás, às voltas com suas mazelas. O telefone toca. Ele olha ansioso para a tela.

Olha como um pedinte para Solano, que se nega terminantemente a atender.

— Se eu não atender, é capaz de ela vir para cá. Atende para mim, Solano, diz que saí e larguei o telefone.

Solano olha para ele e chacoalha a cabeça negativamente. Sorri.

— Se vira, Tomás, tem que lidar com isso… e digo isso porque sou seu amigo.

— Sei… Vamos ver na próxima vez que precisar de mim… Vai me pagar.

Tomás se rende. Ele atende.

— Alô? Willa?

Uma série de impropérios se ouve do outro lado, a começar com “— Não tem meu nome nos seus contatos? Precisa de confirmação?”

— Willa, não acho que devemos conversar por telefone. Assim que eu puder, vou encontrá-la e conversamos.

Ele não queria, mas sabia que, uma hora, teria que encontrá-la.

Willa, do outro lado da linha, protesta, contesta, pergunta, cobra atitudes que Tomás não quer tomar nesse momento.

— Escute — ele retoma. — Não é algo que deva ser falado pelo telefone… espere eu encontrar contigo…

Do outro lado da linha, ela parece não concordar, não tem paciência, nem quer argumentos vazios.

Tomás não quer continuar naquela situação. Desliga o telefone, mesmo com Willa ainda falando, mas sabe que aquilo lhe trará muita dor de cabeça.

Logicamente o telefone começa a tocar novamente. Freneticamente! É Willa, inconformada por ter sido desligada, sem ao menos uma boa desculpa.

Ele nunca faria isso antes, mas agora Tomás tira o chip do telefone e joga fora. Seu emocional já está desgastado o suficiente para não ter mais que aguentar aquela cobrança.

Nem sabe de onde tirou aquela coragem. Parece que cresceu, parece que está perdendo o medo… só parece… Lembra-se novamente de Willa e confirma o que desconfia quando vê a luz do celular de Solano acender.

— Solano, se prepara! — diz ele. — Willa vai ligar para você e é já… Você não sabe onde estou, onde fui, onde vou… Não diga nada a ela, por favor. Preciso de tempo.

Solano sorri.

O telefone dele começa a tocar, de fato.

— As coisas se agravaram depois de Camila, não foi? — comenta Solano.

— Sim, pude ver uma forma diferente de viver, de conviver, melhor dizendo. Só não dura muito. Ela é esquiva. Some o tempo todo e não tenho como achá-la.

— É! Você já me disse que, se um dia encontrasse algo diferente, você entraria “de cabeça”, não é?

Tomás não tem tempo de responder. O telefone de Solano insiste e insiste.

Os dois se olham, encolhendo os ombros, aceitando o que não pode ser controlado.

— Sim, Willa? — diz Solano.

— Onde está Tomás?

— Não sei, Willa, ele estava aqui há pouco, mas já saiu.

— Se o vir, diga que preciso falar com ele. Não vai me escapar dessa vez.

— Se acalme, Willa, por que está tão nervosa?

— Que pergunta boba, Solano. Sabe do que falo!

Solano desiste, sucumbe diante de argumentos que sabe serem intermináveis.

— Está bem, Willa. Se souber dele, te aviso. Ah! E aviso a ele que você o procura.

— É bom mesmo. Sabe o que acontece se não o achar.

Solano encolhe os ombros, levanta as sobrancelhas e espalma as mãos como quem nem sabe mais o que falar.

Ele respira fundo.

— Tomás, agora ela chantageia claramente. Era sutil antes, não mais.

— Sim, Solano, de qualquer forma preciso agradecer. Antes eu até achava que estava imaginando coisas. Agora tenho certeza de que ela me chantageia… O pior é que eu me deixo chantagear. Ainda não entendi direito do que tenho medo. Preciso sair dessa situação. Não sei como, mas preciso.

— Parece que tem medo de tudo — provoca Solano, rindo e saindo rapidamente da sala.

O relacionamento de Tomás com Willa, um dia foi bom… não, foi muito bom. Eles realmente se amaram.

Enquanto ainda não se conheciam bem, tudo eram flores. Tudo era amor, tudo era paixão.

Willa foi, aos poucos, mostrando outro aspecto da personalidade, desconhecido para Tomás. Ela foi ficando possessiva e mandona.

Dizia o que ele devia ou não fazer. Aceitar ou não. Com a desculpa dela participar da vida dele, a participação virou mando.

Não há dúvida de que Tomás também descobriu outro aspecto de sua própria personalidade. O de subserviente.

Por um bom tempo, ele ficou à mercê dos desmandos de Willa, em nome da paz, da compreensão e do sossego.

Tomás reconhece também que se aliar a Willa como paixão e ao sogro como patrocinador, que investia pesado em seus projetos, o motivou bastante a relevar uma série de desgostos que, anteriormente, em situação normal, ele não suportaria.

Um dia ele encontrou Camila no bar do restaurante.

O estouro da tampa da lata mostrou a ele uma nova perspectiva de vida. Estava sem Willa naquele dia, estava somente com Solano.

A princípio, ele não deu muita atenção; só havia a atração normal entre seres bonitos, até a noite do breu e de suas horas juntos. Tudo era diferente nela, tudo era novidade, tudo era um sonho que ele acreditou ser possível de ser perpetuado.

Quando ela desapareceu no dia seguinte, fazendo-o manter um colóquio bizarro entre Lucrécia e Laércio ao procurar por ela, Tomás achou que não a veria mais. Achou que foi tudo um sonho bom. Só.

Conformou-se novamente e voltou para Willa. Continuou naquela vida de conveniência para ambos.

Apesar disso, a lembrança de Camila sempre o pegava desprevenido.

Mas Willa não ia parar por aí. Ela ia continuar a exercer seu poder de comando até estressar mais e mais o relacionamento.

E o quanto Tomás já havia cedido o estava esgotando, anulando seu humor.

Quando encontrou novamente Camila no haras, suas forças se renovaram e ele pensou de novo que conseguiria sair do relacionamento com Willa. E tudo desmoronou de novo quando ela sumiu… de novo.

Afinal, novos pensamentos começaram a tomar conta dele.

Começou a pensar por que precisava do apoio de Camila para se livrar de Willa?

Sim, Camila deu o começo, mas não era, necessariamente, a solução… não a única.

Apesar desse pensamento, Tomás se mantinha ao lado de Willa. Ela solucionava muito de suas dificuldades, inclusive sendo desculpas para sua falta de atitude com relação à sua própria vida.

O que você achou? Gostou?

O destino, o cupido, ou qualquer ente traquinas que gerencia o coração das pessoas vai colocá-los juntos novamente?

Aguarde, que logo postaremos o próximo capítulo. Emocione-se conosco, torça conosco pelos próximos envolvimentos dos dois.

Divirta-se e ouça a história contada nos próximos capítulos. Depois deixe seu comentário.

Obrigado por nos honrar com sua participação.

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