Foi Assim Que Começou – Capítulo 2

CAPÍTULO 2 – ENTÃO, NO HARAS

PRÓLOGO

Quando Tomás imaginaria que encontraria Camila novamente?

Depois de tentar por várias vezes sem sucesso, tanto no hotel como investigando possíveis registros lá mesmo, ele desiste.

Ficaria conformado com o sonho, com a vontade de, de novo, encontrar a moça que causou susto pelo estampido da tampa da lata e depois se afogou com ela numa noite estonteante.

Mas, o destino, ou o cupido, ou seja lá o que for, estava de olho nele. Em Tomás.

Benevolente, buscando sua felicidade, ou simplesmente se divertindo, um desses entes, promove novo encontro dos dois.

Isso será algo duradouro, ou há um segredo funesto regulando a vida de Camila e a impedindo de ser feliz?

Escuta a história e me conta depois o que você achou.

Quer saber mais? Me conta se gosta desse jeito de contar histórias, faça comentários, deixe um like e volte sempre.

A HISTÓRIA:

— Quanto quer por esse, Martino?

— Não quero vender esse. É da minha filha.

— E ela não vende?

— Pergunte para ela.

— Onde a encontro?

— Tem vários outros cavalos, por que quer justamente esse?

— Porque é o mais bonito, o mais forte, o que mais vai me dar crias valiosas.

— Mas Spite, Sândalo, Touro e outros mais também te darão boas crias.

— Sim, quero eles também, mas quero Tú-dor.

— Bem, vai ter que esperar. Ela não está aqui e não vem muito. Só no final do mês… acho.

— Me dê o endereço dela. Vou encontrá-la.

— Quer Tú-dor tanto assim? Não acho que vai conseguir. Ela é osso duro de roer.

— Posso tentar, não é?

— Espere um pouco, vou ver quando ela vem para cá.

— Está bem! — Tomás aquiesce com um sim com a cabeça.

— Filha, como vai? Estou com saudades. — alguém responde do outro lado da linha.

E Martino continua: — Tem alguém aqui querendo comprar Tú-dor. O que acha?

Ouve-se um “não” exclamado em alto e bom som do outro lado.

Martino afasta de pronto o telefone do ouvido. Ele claramente está evitando ensurdecer. Olha para Tomás, apontando para o telefone como quem diz: — Não disse?

Martino coloca no viva-voz para que Tomás ouça.

Não ouse vender o meu menino! Se fizer isso, deserdarei você de ser meu pai.

— Me deserda? Já vi você inventar coisas, mas essa foi demais. Tá bem, filha, vou negociar os outros.

E não dê meu telefone e endereço para ninguém, tá?

— Tá bem, filha, tá bem!

E, totalmente inesperado, do outro lado da linha:

Ciao, meu paizinho preferido! Te amo, gordinho! — seguido de uma sonora risada.

E Martino desliga o telefone.

Tomás olha Martino com uma interrogação estampada no rosto e no corpo.

— Ela é assim, Tomás, passa da fúria para o amor em segundos.

Tomás se lembra da bela com quem passou a noite do breu. Era voluntariosa e suave, amante e mandante, enfim, contradições que o levaram às nuvens pela noite toda e o deixaram desmaiado na manhã seguinte.

Todos riem do comentário de Martino, mas Tomás não pretende desistir. Tú-dor parece ser um belo espécime para ele e vai voltar ali para levá-lo.

— Não tem fotos de sua filha, Martino?

— Não, ela odeia. Não quer.

— Que pena, gostaria de conhecê-la antes de encontrá-la.

— Por que acha que ela vai encontrá-lo?

— Sou persuasivo. Consigo convencê-la. Tú-dor ainda vai ser meu.

— Vai sonhando — diz Martino, rindo. — Fique aqui essa noite. Minha filha não está; pode dormir no quarto dela, lá em cima — e Martino aponta a escada ao lado.

— Ideia interessante. Em vez de pegar estrada agora, volto amanhã cedo? Aceito, Martino.

Quando Tomás sobe, vê o quarto da filha de Martino e fica encantado. Só há fotos dela montada em Tú-dor; não dá para ver o rosto.

É uma mulher linda, sem dúvida. Queria ver esse rosto. Só podia ser quarto de uma moça, mesmo! Uma que tem um cavalo e o monta. Tudo cheira gostoso — são os pensamentos que tomam conta de Tomás enquanto entra embaixo das cobertas, imaginando outros corpos que elas já aqueceram.

A acolhida de Martino é providencial. A noite é fria e Tomás agradece por ter ficado. Dorme pesado.

A noite dos sonhos. Há muito, Tomás não dormia tão bem. Curioso com a moça “amazona”, dona de Tú-dor, ele se levanta, inspecionando cada canto do quarto antes de descer para o café.

As cortinas, a madeira das paredes, do teto, tudo o encanta e mexe com a imaginação de um jovem ativo e promissor como ele.

A penteadeira, as maquiagens, o perfume.

Senta-se diante do espelho e mexe na caixa do perfume, abre cuidadosamente e espirra no ar.

De repente, um turbilhão de lembranças explode em sua mente. Um mês atrás, no hotel, aquela moça, com a irmã chamada Quitinha, aquela que encantou sua noite e depois o deixou, era ela, era o mesmo perfume, mas, lógico que ela não era a única que teria aquele aroma.

Não tem fotos, não tem mais nada que a identifique. Precisa falar com Martino.

Desce rapidamente as escadas. O café já está servido, bem característico de fazenda. O cheiro do café, o leite fervendo, o fogão de lenha ligado no canto, esquentando toda a casa. Tudo ali era mágico.

Mas não tem foto dela.

Martino já está fora, adestrando alguns cavalos. Coragem para sair no frio é preciso.

— Martino, bom dia!

— Bom dia, Tomás, dormiu bem?

— Como um anjo…

— O quarto de Camila é mágico, não é?

— Camila… ela se chama Camila!!

— Sim, minha menina… Camila!

— Não tem fotos dela?

Sem explicação, o rosto de Martino se fecha. Ele se vira para Tudor, que estava na sua frente, o magnífico cavalo negro, e emudece.

Tomás percebe o mal-estar, mas não entende a razão.

— Desculpe se toquei em assunto que não devia, Martino.

— Não! Um dia, se você a conhecer, você fala com ela a esse respeito. Eu prefiro não comentar.

— Ok, e quando posso falar com ela?

— Eu liguei de novo e expliquei sua insistência. Ela vem vindo. Chega hoje ou amanhã… se você puder ficar.

— Hoje ou amanhã?

— É! Não sei de onde ela está vindo… Sabe, nossa relação é… digamos… diferente… ou melhor… ela é diferente.

E Martino encolhe os ombros, deixando parecer resignação, aceitação.

— Está bem, vou ligar para Solano e te digo se posso ou não ficar.

— Ok. Se ela chegar hoje, mando arrumar o quarto ao lado para você ficar — diz Martino, voltando-se novamente para Tú-dor.

E Camila confirma que virá. Quer saber quem é tão interessado assim em Tudor.

E o quarto ao lado do dela é arrumado para Tomás, que quer muito Tudor e também está muito curioso sobre Camila. Algo lhe diz que essa curiosidade será compensada. Essa curiosidade lhe aparenta estar com bons presságios.

A noite chega sem Camila e com a ansiedade de Tomás em crescimento. Martino o acalma.

— Não adianta, Tomás, ela é esquisita mesmo. Vai chegar quando menos esperarmos. Ela sempre foi assim.

— Bem, já que fiquei, vou dormir. Converso com ela amanhã cedo.

— Faz bem. Ninguém que espera por ela fica satisfeito. Ela frustra todas as expectativas.

— Ok, boa noite então.

Tomás sobe para o quarto e se prepara para dormir.

Depois de algum tempo, quando estava quase pegando no sono, é acordado por uns sons diferentes no quarto ao lado. Uma voz feminina chama sua atenção. Tem impressão de que a conhece. Sente o mesmo perfume que sentiu quando esteve no quarto ao lado.

Os vários sons povoam sua imaginação, levando-o por mundos desejados, mas nem sempre alcançados.

Parece que Camila chegou e também se prepara para dormir. Então, tudo fica para o dia seguinte.

Daí então, Tomás não consegue mais conciliar o sono. Lembra-se da moça do hotel, do mês que passou procurando saber quem ela era e nenhuma informação conseguida? Pudera, eles passaram uma noite juntos e ela sumiu no dia seguinte.

Mas por que estava lembrando disso agora? Estava numa fazenda, isolada do mundo, tendo já passado um mês. O que naquilo o lembrava da moça do hotel?

O perfume, os barulhos? Os passos? Sim, pois naquele chão de madeira, os passos eram bem audíveis. Nada mais ali se assemelhava aos sons da noite no hotel, mas era o que estava acontecendo.

Quando ele se dá conta, está em pé, ao lado da porta do quarto ao lado, que está entreaberta. Percebe o perfil de Camila contra a janela, inundada pela luz da lua e envolvida pela cortina de voal.

Entra e, enebriado pelo encanto, chega até ela, que não se move, não dá sinais de medo ou de resistência. Ela se vira, esfregando seu corpo no dele, e daí então nada impede a explosão de dois corpos jovens buscando avidamente entrar em comunhão.

As noites sempre são curtas para os amantes, mais ainda para aqueles que estão em busca de descobertas, de novas sensações, de novos corpos, novas curvas e novas paixões.

Somente sons de respiração ofegante, de sussurros soprados ao pé do ouvido são entendidos. São mensagens que não precisam de palavras, são comunicações dos sentidos mais instintivos, das emoções mais primitivas, do tato mais sofisticado e dos aromas mais refinados.

O contraste entre o instintivo e o sofisticado se faz presente, no sentido da pele, das curvas, dos pelos da barba roçando o corpo e arrepiando prazeres.

A respiração alterada de um no pescoço do outro. A boca de um na nuca de outro. As mãos envolvendo os corpos de um e do outro. Os corpos se fundindo, tornando-se um só, por instantes alucinantes e além do comum.

Finalmente, o cansaço vence. Ambos sucumbem ao peso da exaustão.

Quando Tomás abre os olhos, pela percepção do sol no quarto, ele novamente está sozinho, sente o cheiro do café vindo de baixo da escada. Lava o rosto rapidamente, corre no quarto ao lado, no qual ele deveria ter dormido, veste-se e desce.

Na cozinha, ao lado do fogão de lenha daquela casa de madeira, está Camila, e Tomás entende muita coisa naquele momento.

Ela sorri para ele. Ela é Camila, a mesma do hotel. Martino também está na mesa e o convida a sentar-se.

Não sabia seu nome e ainda não a tinha visto claramente, pois a noite no hotel era negra, mas agora a via. Gosta muito do que vê.

— Vamos lá, Tomás, sente-se. Aqui está Camila, minha filha.

Ela se aproxima sorrindo, estende a mão para cumprimentá-lo.

À princípio, Tomás não entende. Tem certeza de que era ela com quem dormiu. Agora, aquela formalidade, por quê? Será por causa de Martino?

Resolve fazer o jogo. Estende a mão com um sorriso suave e a cumprimenta.

— Tomás, muito prazer.

— Sim, prazer é meu — rebate Camila, ainda com o sorriso no rosto.

Ambos sentam-se frente a frente, apreciando cada gesto um do outro, sorrindo e conversando de negócios. Martino participa animado da conversa.

— Então, filha, Tomás quer Tú-dor.

— Não!

— Só não? Assim, secamente? — provoca Tomás.

— Secamente? Que palavra esquisita!

— É que pensei que estava aberta a negociação.

— Não com Tú-dor. Os outros, sim, se quiser. Tú-dor é meu.

— Mesmo que eu lhe pague o dobro por ele?

— Por que você pagaria o dobro? Quer o cavalo ou quer vencer um desafio? Fazer valer sua vontade?

— Posso supor o mesmo de você.

— Eu não me coloquei em uma disputa. É você que está promovendo uma.

— Qualquer negociante topa uma disputa.

— Olhe, Sr. Tomás… qualquer outro cavalo está dentro dessa sua proposta, Tú-dor não!

Nada agora se assemelha ao que aconteceu à noite. A concordância, a comunhão havida entre eles aparenta ter sumido. Nada parece convencê-la agora, diferente do que a convenceu facilmente à noite.

São segundos belicosos. Logo o clima se acalma e os sorrisos amenos tomam lugar das animosidades.

Após o café, a proposta é visitarem os estábulos para verem os outros cavalos. Parece que a noite foi esquecida por Camila. Ela olha para Tomás, como se o tivesse conhecido naquele momento.

Tomás não entende como pode uma pessoa agir assim. Depois da noite que ele considerou memorável, ela o trata como recém-conhecido.

Enquanto Camila caminha na frente deles, Tomás tenta entender melhor a atitude dela.

— Martino, Camila é sempre assim?

— Assim como? — pergunta Martino.

— Assim… fria, como se tivéssemos nos conhecido agora?

— Não foi assim? A conheceu antes?

— Não! — de repente Tomás percebe que falou mais do que devia a Martino. — Não! É que estou acostumado com… pessoas mais calorosas — apressa-se Tomás.

— Ah! Está acostumado, por ser um belo exemplar masculino, a que as mulheres o persigam? — comenta Martino, rindo alto.

— Não, não é isso. Deixa para lá…

E, assim, Tomás tenta encerrar o assunto que não devia ter começado.

— Camila se esquiva de qualquer relacionamento, Tomás. Apesar de ser a mulher que é, não teve boas experiências. Ela não se afeiçoa a ninguém… exceto Tú-dor… Tú-dor… é verdade.

Tomás sorri e torce para que Martino não lhe pergunte mais nada.

As baias estão lotadas. As compras desse ano renderam bons negócios. E lá está Tú-dor, imperando diante de todos. O cavalariço que o monta é todo sorrisos e, de repente, ele está no chão.

Assim que Tudor vê Camila, ele empina. Joga seu cavaleiro no chão e vai em direção a ela.

Tomás vê tudo isso, encantado.

— Ele te reconhece!

— É! Crescemos juntos e passamos por bons e maus bocados juntos.

— Não parece haver lugar aqui para maus bocados.

Camila não responde. Só olha para Tomás e sorri, vira-se e se afasta. Monta Tú-dor e sai pelo paddock, conduzindo-o lindamente pelos obstáculos do caminho.

Martino toma a palavra, fazendo as vezes do negociador.

— Temos cavalos aqui nesse haras para três tipos de atividades: para reprodutor, para competição e para hobby dos compradores. E você, Tomás, para o que quer cavalos?

— Bem, eu tenho uma sequência de cenas para uma série que produzo. Preciso deles, de preferência bem iguais, pois meu personagem principal exige muito dele, então preciso de dois ou três bem semelhantes para poder substituir e dar descanso ao que já atuou. Assim como quando a gente contrata gêmeos quando as cenas são pesadas ou longas, sabe?

— Ah! Sim, mas então, por que você quer Tú-dor? Ele é diferente de todos. Maior, mais encorpado, negro como só ele…

— Sim, ele me encantou. Queria levar para uma pessoa especial.

Tomás comenta e olha intensamente para Camila galopando com Tudor…

— Ah! Entendo — comenta Martino.

Enquanto falam, Camila trota com Tú-dor pelo paddock, sentindo o vento e se deixando levar pela paixão que a envolve ali.

— Ele é quase um ator, não é? — pergunta Tomás, olhando a apresentação feita por Tú-dor, com Camila o montando.

— Isso porque você não viu quando Camila o treinava para a série “slash”.

— Ah, ele já foi de outra pessoa, então?

— Isso foi antes de eu dá-lo a Camila. Uma hora te conto a história. Não é muito feliz, mas é emocionante. Camila chora cada vez que se lembra.

A hora do almoço é animada no haras e Camila sorri o tempo todo para Tomás. Ele acha que terá mais uma noite intensa com aquele acolhimento.

A noite desce mansa e suave, e no haras tudo é diferente da cidade. Quando no hotel foi preciso acabar a energia para tudo ficar escuro, lá era só sair no terreiro de café, ou até mesmo no paddock, onde os holofotes mais amenos foram ligados.

O que imperava, longe da casa grande, eram as luzes da lua.

Tomás olha pela janela e vê alguém correndo pela grama até a casa de hóspedes ao lado da piscina. Alguém entra, depois de alguns minutos sai e mergulha na água.

Mesmo na noite amena, Tomás tem a impressão de que aquele mergulho é o prêmio por um dia produtivo. Sai silenciosamente de seu quarto e espia a porta de Camila. Tudo está apagado. Ele tem certeza, então, de que é ela na piscina.

Desce vagarosamente as escadas em silêncio. Parece que todos foram dormir. Mesmo os relógios em uma zona rural sugerem coisas muito diferentes do que quando você está na cidade.

Abre cuidadosamente a grande porta de madeira e sai para o jardim. Não há mais ninguém na piscina. Tomás vê luz na casa de hóspedes. Chega perto devagar e para quando ouve vozes.

— Não venha me dizer que vai vender Tudor — diz uma voz masculina, que se encontra na frente de Camila, na sala da casa.

— Não venha me dizer o que devo fazer, Peter. Eu é que decido isso. Aliás, o que você ainda está fazendo aqui? Meu pai disse que você tinha ido embora.

— Fui, mas voltei. Percebi que não vivo sem você. Sem esse lugar.

— Não seja bobo, você não acha que agora, porque você resolveu voltar, eu vou de novo pular no seu pescoço, não é?

— Eu sei que você me ama.

Camila respira fundo, vira-se e começa a caminhar para a porta, enquanto Tomás está indo na direção da entrada.

— Não vou nem te responder mais, Peter. Me deixa em paz.

Ela caminha para a saída e Peter barra sua saída.

— Precisamos conversar. Sei que não fui muito correto com você, mas prometo que vou ser agora.

— Não precisamos conversar e não me interessa mais você ser correto ou não. Acabou, me esquece.

Peter coloca-se na frente da porta, tentando impedir Camila de sair. Tomás ainda ouve o último diálogo.

— Eu sei que você me ama, me amava.

— Usou o verbo no tempo certo; aliás, nem sei se aquilo era amor. Acho que era mais uma teimosia da minha parte. Já abri mão disso. Acho que nunca amei ninguém. Acho que essa palavra só serve em determinados contextos… um filme romântico, um livro, um agrado para fazer alguém feliz… e por aí afora. Não acredito mais nisso. Me deixei envolver por esses conceitos bonitinhos, adequados… eu era muito ingênua.

— Não pode falar assim, Camila. Eu amo você.

— Você nem sabe o que é isso! E agora saia da frente.

— Você também não sabe!

— O que me admira em você é também essa sua falta de percepção. Foi o que acabei de te falar! Agora saia!

Camila o empurra e sai. Peter não resiste. Tinha se proposto a reconquistá-la de forma diferente da última vez. Enquanto caminha para a saída dos fundos, Camila vai em direção à porta principal.

Camila, ao abrir a porta, tromba com Tomás, que se preparava para bater na porta.

— Oi, olá, você aqui? Achei que já estaria dormindo.

— Quase! — responde Tomás, mas vi você na piscina e resolvi vir até aqui. Devo confessar que ouvi um pedaço da conversa.

— Ah, nada importante. Vamos lá, vamos entrar na água. Vamos, tire a camisa e vamos.

Tomás a envolve nos braços. Parece que a noite a transforma e ela se deixa abraçar. A proximidade dos dois torna impossível evitar mais momentos de entrega total.

Embora tudo pareça eterno, ambos têm a sensação da brevidade desse eterno. O paradoxo dos sentimentos e emoções tomando conta de ambos. Não se sabe como, mas todo começo está próximo do fim, para os dois. A tentativa de intensificar ao máximo os instantes vividos torna a relação explosiva.

Tomás amanhece feliz, buscando abraçar Camila, ao seu lado, mas, como a sensação anterior no hotel, ela não está mais lá.

Volta para a casa grande e, mesmo lá, ele não a encontra.

— Martino, onde está Camila?

— Ela se foi. Não se despediu de você?

— Não! — é a lacônica resposta de Tomás.

— Não sei por que ela faz isso, ou melhor, eu sei… só não sei a razão de ela guardar isso por tanto tempo.

— O que ela guarda por tanto tempo?

— Ah! Melhor ela mesmo te contar um dia… se achar que deve.

— Acha que nos encontraremos novamente?

— Não sei. Não sei o que o destino nos reserva, não é?

— Acredita nisso? Em destino?

— Sei lá, Tomás. Mudamos tanto nos anos que nos alcançam. Eles são pródigos em nos ensinar lições. Muitas delas nem queremos aprender. São nos enfiadas “goela abaixo” e temos que engoli-las para não nos afogarmos nelas.

É a primeira vez que Tomás ouve Martino dizer uma frase tão comprida. Ele sorri. Supõe que tenha um significado que não pode entender. Não agora, pelo menos.

— Para onde ela foi, Martino?

— Não sei. Ela não me conta, não me quer por perto. Viaja pelo mundo, aparece e some.

— Mas você não tem como se comunicar com ela? Um telefone?

— Um celular. Só deixo o recado e torço para ela ver.

— Foi assim que ela soube que eu viria?

— Sim, melhor dizendo… foi assim que soube que alguém queria Tú-dor.

— Ah! Tudor foi o foco?

— Sim.

— O que aconteceu entre ela e Tudor?

— Tomás, você é um bom rapaz, eu sei, mas, se um dia a encontrar de novo, você pergunta a ela. Não vou ser eu a te contar.

— Esquisita a comunicação entre vocês. Você é realmente o pai dela?

Martino sorri, vira-se e se afasta.

O que você achou? Gostou?

O destino, o cupido, ou qualquer ente traquinas que gerencia o coração das pessoas vai colocá-los juntos novamente?

Aguarde, que logo postaremos o próximo capítulo. Emocione-se conosco, torça conosco pelos próximos envolvimentos dos dois.

Divirta-se e ouça a história contada nos próximos capítulos. Depois deixe seu comentário.

Obrigado por nos honrar com sua participação.

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