Vampiros -A Razão de Tudo
PRÓLOGO
No mundo da imaginação, tudo pode, tudo existe, tudo acontece, seja fato ou fantasia. Sonhos se realizam, mas não exatamente como são desejados. Quando sonhamos, moldamos os outros à nossa vontade, mas na realidade, os outros têm vontade própria e se moldam a si mesmos.
Mas seria realmente chato, algo que se submetesse o tempo todo à nossa vontade, então temos que dar crédito à realidade que nos desafia e instiga pesquisa, descoberta, novas paixões e amores. Portanto… fica a seu critério olhar para esse nosso conto como realidade ou fantasia, mas nesse momento, sugiro que sonhe conosco, depois discuta isso.
Eis aqui uma versão ora nova, ora antiga de uma forma de vida, desconhecida, e ao mesmo tempo muito conhecida. Vampiros!!
Essa forma de vida explora conceitos diferentes de fantasia que leva os sonhadores a viverem intensamente outros mundos, outros amores, outros começos e outros finais.
Venha conosco para saber mais dessa história, depois inscreva-se no canal, deixe um like, comente e volte sempre.
A HISTÓRIA
Um burburinho confuso preenche o hall de entrada do hotel. Vozes agitadas fazendo perguntas, dando respostas, reclamando ou somente passando por lá.
Uma rajada violenta e repentina de vento percorre rapidamente a distância entre a porta e os elevadores. É ela!
Ágatha se posta na frente do elevador, conversa consigo mesma e ao mesmo tempo no celular.
— E já estou atrasada para o workshop… preciso subir correndo.
São as palavras ditas por Ágatha a Ravi, a caminho do elevador, com o celular no ouvido.
— Encontro você no shopping depois do workshop, tá? — diz Ágatha para Ravi.
— Ok! Por volta das oito, né? — diz Ravi.
— Combinado. — confirma Ágatha. — e aguarda, já impaciente, pelo elevador.
Ele está descendo, ela vê. Ágatha fica agora na marcação das setas. Para cima, para baixo. Para baixo agora. Segundos para ela tornaram-se minutos ansiosos.
Ela aperta o botão do elevador com força, como todo mundo, com a sensação de que ele chega mais rápido por isso. Logo ele realmente chega, Ágatha entra.
— Bem que eu poderia voar lá para cima. — diz ela, dando três pulinhos e rindo de si mesma.
A porta começa a se fechar, mas isso é só o início de algo encantador, sensual ou assustador.
Alguém grita “espera” com um sotaque estranho e Ágatha prontamente segura a porta do elevador, e alguém passa correndo por ela. É alguém alto e forte, ela pôde sentir pela movimentação frenética do ar à sua volta. Fica de costas para ele, olhando para os botões que indicam os andares.
— Qual andar você vai? Aperto para você.
Sem resposta. Mutismo total. Só o barulho das engrenagens do elevador se escuta.
O homem não responde, mas se aproxima e pressiona o andar nove.
Ágatha imagina que seja alguém sem educação ou, pelo sotaque, alguém que não entendeu o que ela perguntou.
O elevador começa a subir e ambos se mantêm mudos, até que, num tranco, o elevador para e tudo se apaga. Breu total.
Ágatha pragueja e vira-se para o homem atrás de si. Ele está imóvel, provavelmente sabendo que moças sozinhas em elevadores com homens estranhos se assustam, especialmente quando os elevadores param entre as paredes de dois andares. Mas Ágatha não aparenta estar com medo. Ao contrário, pega o celular e começa a fazer chamadas. Seu rosto só é iluminado pela luz do telefone.
O homem, que agora Ágatha pode ver que é jovem, olha para ela, desviando esporadicamente o olhar.
Ágatha procura ser simpática e comenta:
— Que situação, hem?
— Não entendo… — diz ele, com sotaque carregado, gesticulando negativamente com as mãos.
— Não entende a situação, ou não entende o que falo? — pergunta Ágatha.
Ela obtém a mesma resposta:
— Não entendo!
— Ah! Não fala minha língua! Certo!
E de novo ouve:
— Não entendo!
— Já entendi. — diz Ágatha, rindo. — Speak English?
— Yes! — diz ele, aliviado.
— Ok! Let’s speak in English. — diz Ágatha.
E começa uma conversa, impossível antes, possível agora, em inglês. E Ágatha começa a explicar os telefonemas que deu.
— Já falei com a gerência do hotel e dizem que o gerador já vai ser ligado. Mas acho que está demorando muito. Falei com meu irmão, e ele me disse que grande parte da cidade está sem energia elétrica, não sabe o que aconteceu. Acho que vamos ter que esperar aqui um tempo.
— Sim. — diz ele, aproximando-se mais dela.
Parece que ele quer ver o rosto de Ágatha mais de perto e ela sorri para ele.
— Temos aqui uma luz do celular, que já vai acabar. Não tenho o costume de carregar muitas vezes, porque não uso muito, então, a bateria não está muito carregada. Vou parar de fazer chamadas para poupar a bateria.
— Tenho o meu aqui. — diz ele, mas não conheço muita gente aqui… mas se você quiser usar…
Ágatha ri.
— Do que está rindo? — pergunta ele, sorrindo também.
— Não sei o número de ninguém. Só ligo para pessoas dos meus contatos pelo nome… já viu, né?
— É! Se a energia não voltar, estamos encrencados. — diz ele.
— Sim. Mas se vou esperar, vou esperar sentada.
Ágatha pega algumas pastas que estavam em suas mãos, as coloca no chão e senta em cima. Oferece outra pasta para ele. Ele aceita e senta ao lado dela.
— O que você está fazendo aqui? — pergunta ele.
— Vim para um workshop. E você?
— Eu vim para descansar. Acho que o elevador não é o melhor lugar, mas de qualquer forma, me sinto em paz… isolado do mundo que é muito barulhento.
Ágatha nota melhor o rapaz. É bonito de rosto, de corpo. Cabelos negros ondulados, que caem desarrumados pela testa, olhos castanhos, incisivos, barba espessa, escura, com fios vermelhos, bem cuidada.
— É um belo representante do gênero masculino. — pensa Ágatha, consigo mesma.
— Qual é o seu nome? — pergunta ele.
— Ágatha… e o seu?
— Ryan. Pode me chamar de Ryan.
— Prazer, Ryan. Diz Ágatha, estendendo a mão para ele.
Apertam as mãos e ficam calados por um tempo, um ao lado do outro, até que Ryan volta a falar.
— Sobre o que é o seu workshop, qual o assunto?
— Ih! Não sei muito bem. O nome é “Criatividade”, um nome tão geral que fiquei curiosa como o palestrante irá desenvolver o conceito, mas… não tinha nada melhor para fazer, então vim.
— E você, o que está fazendo aqui?
— Bem, como já disse, vim descansar uns dias. Não tenho muita paz no meu trabalho e escolhi um país bem grande, onde as pessoas supostamente não sabem que eu existo e me deixarão em paz.
Ágatha ri alto…
— Então, você é uma pessoa conhecida que está fugindo da fama?
— Pois é! Mais ou menos isso.
Ágatha olha fixamente para ele, faz caretas de quem quer lembrar algo e diz:
— Então, acho que te conheço… já te vi antes. Se o elevador não tivesse nos prendido aqui, não estaríamos conversando, mas já que não temos mais o que fazer, deixe-me descobrir quem você é.
Ágatha olha direto para ele, pondo-se de frente, e ele olha diretamente para ela. Ele é o primeiro a romper o silêncio.
— Você é muito bonita! — diz ele, deixando Ágatha desconcertada.
— Você também é! — diz Ágatha. — Já sei! Você é ator e já assisti a algumas novelas em que você atuou!
— Sim. — diz ele.
— Veja só! Não vai passar tão incógnito aqui. Assim como eu, outras pessoas já assistiram suas novelas.
— Mas veja. — diz ele. — Você pôde me observar de perto. Se tivéssemos seguido aos nossos destinos, você não teria me identificado.
— É! Provavelmente não. Eu estava correndo para o décimo quinto andar, atrasada, e não teria nem virado para trás para olhar você de perto.
— É! Mas eu olhei você de costas. — diz Ryan, rindo.
Ágatha ri junto.
— Entendo! Pelo menos o instinto masculino ainda funciona em alguns homens. — ambos riem juntos.
Ágatha encosta-se novamente na parede do elevador, desviando o olhar. Ele volta a falar.
— No que você trabalha? Já que me conhece, quero saber de você também.
— Ah! É complicado. Sou meio “por minha conta”. Trabalho com livros. Traduzo e faço outras coisas relativas.
— O que são essas coisas “relativas”? — diz Ryan.
Ágatha ri. Ri muito, deixando Ryan sem compreender.
— Quer mesmo saber? — diz Ágatha, levantando um suspense no ar e deixando Ryan ainda mais interessado.
— Sim, agora mais do que nunca!
— Você não vai me acreditar. — diz Ágatha, rindo ainda mais.
— Me conta, mesmo que esteja inventando.
— Não é invenção, mas as pessoas não me acreditam. A maioria, pelo menos. Se bem que não costumo contar para ninguém. Bem, já fiz um pouco de tudo na vida. Acho que “um pouco de tudo” pode ser exagero, mas é um começo para você me conhecer.
Ryan está cada vez mais curioso e presta muita atenção naquele rosto bonito que lhe parece muito antigo, mas muito atual. Muito bonito, mas muito experiente. Muito jovem, mas muito sábio… não compreende muito bem a mistura de sentimentos que o rosto e o jeito de Ágatha lhe provocam.
— Eu tenho exatamente trezentos e noventa e cinco anos. Nasci em mil seiscentos e vinte e sete. Me acredita?
— Não! Você tem, no máximo, vinte e poucos anos. — diz Ryan.
— Pois é! Eu disse que você não ia me acreditar.
— Bem, vamos fazer o jogo. Se eu disser que acredito, você me conta mais? Pode ser que essa história me dê um bom roteiro. Tenho um amigo roteirista que pode transformar isso num belo trabalho para mim.
— Bem, a história de vampiros já está muito batida, além do que os filmes falam de nós como se não evoluíssemos, por exemplo: sendo vampira, como estou na rua de dia? Do que me alimento? Somente de sangue humano? Aliás, você tem veias muito apetitosas, aí no pescoço. — completa Ágatha, rindo muito.
Ryan ri muito também de Ágatha, de sua espontaneidade, de suas brincadeiras, de seu humor divertido. Olha para ela, interessado no que virá agora daquela cabeça linda, meio amalucada.
— Acho que você aproveitaria bem o workshop sobre criatividade.
— É! Sabia que você não ia me acreditar.
— Digamos que eu acredite. O que mais você me contaria?
— O de sempre. Que tenho um grande amor, que estamos separados, que já vivemos juntos por algumas centenas de anos, que agora estamos procurando novas formas de viver essa vida que não acaba nunca. É o mesmo de sempre, só que a longo prazo. Sabe que cansa viver muito?
— Imagino! E se eu quisesse me transformar em um vampiro? Você poderia fazer isso por mim?
— Sim! Mas há algumas regras que têm que ser seguidas.
— Por exemplo?
Ágatha sorri… fica muda. Não quer continuar, mas Ryan insiste.
— Vamos lá! Me conte!
Ágatha olha fixamente para ele, para as veias do seu pescoço, molha os lábios, como se estivesse tentando resistir a um instinto forte de sua natureza. Ryan sente-se atraído por ela, por aquele rosto, por aquele corpo. Encanta-se com aquela jovem, parece que algo magnético o liga fortemente a ela.
Ágatha vira-se e desvia o olhar. Ryan agora fica ainda mais curioso. Onde aquela aventura os levará? Não deseja que o elevador funcione tão já. Quer ficar ali mais tempo com ela.
— Vamos lá! — diz Ryan, tocando o braço de Ágatha… Primeiro, me explica, como pode ser vampira, se é tão quente?
— É a desinformação. Quem inventou que os vampiros são frios foram vocês que não são vampiros. Temos a mesma temperatura que vocês. Amamos como vocês, sentimos como vocês, etc. e tal.
— Fiquei curioso com o etc. e tal… me conta mais.
Ágatha olha longamente para ele, avança de repente no pescoço de Ryan, que fica sem ação. Ela fala algumas palavras estranhas em seu ouvido, beija e morde docemente seu pescoço. Ryan é levado a um estado em que seu coração acelera furiosamente, sem saber como reagir a não ser, levado pelo ímpeto, abraçá-la fortemente quando Ágatha se aproxima dele. Ela se afasta, com a mesma rapidez com que se aproximou, morde os lábios ainda olhando para Ryan e rapidamente também se afasta dele.
— Esse é o etc. e tal. — diz Ágatha, levantando-se.
As luzes se acendem e o elevador volta a funcionar. Ainda em choque, Ryan sai do elevador, de costas, olhando para Ágatha. O elevador se fecha e Ágatha segue para o décimo quinto andar.
Ryan não sabe porque saiu do elevador. Vai até seu apartamento ainda tomado pelo estupor, senta-se numa poltrona. Passa a mão pelo pescoço, onde Ágatha o beijou e mordeu, sente o perfume dela nas suas mãos e sente novamente o estupor do momento anterior. Decide que irá vê-la novamente. Decide subir ao décimo quinto andar. Volta correndo para o corredor, chama o elevador, entra e… não há décimo quinto andar. Os botões do elevador só mostram até o décimo quarto.
E se ela mesma se enganou? Sobe até o décimo quarto. Só apartamentos. Nenhuma sala para workshop. Desce até o saguão.
— Onde é a sala de reuniões, por favor? — pergunta ele à recepcionista.
— Temos um salão aqui no térreo e dois para convenções no segundo e terceiro andar.
— Não há décimo quinto andar nesse prédio?
A moça o olha com um sorrisinho maroto e responde.
— Não! Só temos 14 andares nesse prédio.
— Houve hoje aqui um workshop?
— Sim, no salão do jardim. É no térreo.
— Sabe o tema do workshop?
— Um pessoal meio diferente veio para o workshop… eles acreditam em coisas de outro mundo. Levam a sério a história de Drácula, do príncipe e…
Ryan corre para lá… não há mais ninguém… todos já se foram. Ele não ficou mais que cinco minutos dentro de seu apartamento, então, por que Ágatha disse que estava atrasada, mas que o workshop estava começando? Será que ela viu o anúncio do workshop no saguão e disse a ele por isso? Ela queria encontrá-lo? Mas ele entrou no elevador depois dela, então, isso não faz sentido. Como encontrá-la de novo? E por que ele quer encontrá-la de novo?
Ágatha disse que seu irmão estava no shopping ao lado do hotel, quem sabe ela foi direto para lá, ao invés de… não! Aquilo estava estranho.
Ryan vai ao shopping. Isso estava ficando estranho. Porque ele resolveu que queria encontrá-la de novo. Conversou com ela por umas duas horas, enquanto a luz estava difusa, não sabe, ao menos, se a viu direito, ou se realmente viveu aquilo, ou se imaginou para passar o tempo… não… ele ainda tinha a pasta de Ágatha, sobre a qual ele sentara.
O encontro existiu, ele não sonhou.
Chegando ao shopping, olhou desolado para o tamanho daquilo. Era enorme. Só por milagre encontraria Ágatha, se é que ela estaria lá.
De um lugar escondido, fora da vista, Ágatha comenta;
— Ele veio! Deu certo. Ele está me procurando. Ele me quer. — diz Ágatha para Ravi, que está ao seu lado.
— Vai mesmo se envolver com ele? — pergunta Ravi.
— Já sabe que já me envolvi, Ravi. Por que pergunta o óbvio? Planejei isso por muito tempo, não lembra? Ele é o meu escolhido. Não arranje empecilhos, senão não vai gostar das consequências.
— Ora, por que eu faria isso? Tenho te ajudado até agora.
— É! Eu te conheço.
Ágatha não se revela para Ryan, se mantém escondida.
— Por que não vai encontrá-lo?
— Ele ainda não acredita em mim, e você sabe que, para acontecer o que eu quero, em primeiro lugar, ele precisa me acreditar. Vou visitá-lo à noite. À noite, vou fazer com que ele acredite em mim.
Ryan ainda tem a pasta de Ágatha nas mãos. Começa a folhear. Há escritos em línguas estranhas, que ele nunca viu. Há desenhos, muito lindos e outros não tão bonitos.
Numa das folhas, Ryan nota um endereço. Não encontrando Ágatha, decide ir até o endereço escrito naquela folha.
Ele pega um táxi. Como não fala a língua, mostra o escrito ao motorista. No percurso, Ryan relembra alguns momentos no elevador. Lembra que, de repente, estava falando em sua língua nativa e Ágatha o compreendia. Ela também falava com ele, e ele a compreendia.
A familiaridade era tão grande que parecia terem vivido sempre no mesmo local e falando a mesma língua. Mas ele sabia e lembrava de sua origem.
Ele foi ficando cada vez mais curioso sobre o que estava acontecendo.
Eles chegam ao endereço, Ryan desce. Observa a casa. Era um palacete antigo, conservado no meio da cidade. Estava impecável. Lindo, com uma arquitetura deslumbrante.
Ele entra e parece que foi transportado para outro mundo. Lustres de cristal pendiam sobre sua cabeça. Uma escadaria em curva levava para o andar de cima. O térreo era estonteante.
Tinha um enorme salão com decoração finíssima, com peças douradas e muitos quadros pintados com pessoas que pareciam segui-lo com os olhos, conforme ele se movimentava.
Cortinas de veludo, finíssimas, novíssimas, cobrem em parte as janelas em arco, deixando à vista um jardim, que não havia notado a existência quando estava de fora. Espelhos com vidros bisotê, poltronas de couro e de veludo, distribuídas pelo salão, davam um ar de nobreza e encanto. Uma mesa de jantar, num dos extremos da sala, de madeira nobre, completava a visão que ele estava tendo… mas espere! Ainda não. Havia duas portas de madeira que levavam a algum lugar.
Ryan não entende como entrou na casa com tanta facilidade, sem ter sido impedido por ninguém. Espera a qualquer momento ser interceptado por alguém e pedir informações a respeito de Ágatha. Mas ninguém aparece.
Ele se volta para a escada principal e começa a subir para o andar de cima. A escada parece ser de uma torre, a parede acompanha as curvas da escada, mas não havia esse entorno curvado, quando visto de fora, e tem janelas também em arco, que mostram o mesmo jardim visto antes.
Ryan está cada vez mais encantado e cada vez mais curioso. O que era aquele lugar que, de fora, nunca imaginaria que seria daquela forma? Quem mora ali? Ágatha? Mas, quem é ela, de onde ela vem? Para que um lugar tão suntuoso para uma pessoa só? O perfume do ar é o perfume de Ágatha.
No topo da escada, ele vê Ágatha. Emoldurada pela luz que penetra pela janela atrás dela, Ryan reconhece o rosto, entende melhor o paradoxo entre antigo e novo.
— Ágatha! — diz Ryan. — O que é isso tudo aqui? Por que lá de fora não se percebe tudo isso aqui?
— Porque lá de fora, isso aqui não existe. Isso só existe para determinadas pessoas. Você é uma delas. Eu sou outra.
— Quem é você, Ágatha?
— Eu já te disse quem sou, você não acreditou.
Ágatha pega Ryan pela mão e o conduz para o cômodo próximo a eles. É um outro salão tão exuberante quanto o primeiro que Ryan viu. Parece ser um quarto. Além do que já viu no outro salão, ao invés de uma mesa, tem uma enorme cama, com um lindo dossel. A altura do lugar é mais baixa, dando um ar muito aconchegante ao ambiente. O som de água atrai Ryan para a janela, que vê, lá embaixo, um pequeno riacho com uma linda queda d’água. Ele se volta para Ágatha, encantado.
— Ágatha! O que é tudo isso?
— Sente-se, vou te contar… Sabe as histórias de “e viveram felizes para sempre”?… Então, isso não existe.
Então, isso se tornou tão raro que foi parecendo assim que as coisas começaram a acontecer.
E Ágatha continua…
— Isso já foi ideal e possível um dia, mas foi dado aos homens liberdade antes de aprendizado, aceitação antes de pesquisa, tudo pronto antes de ensinar a construir.
Tem sido mais fácil para a humanidade, e também para nós, aceitarmos tudo o que já está pronto sem questionar. Somente ir com o fluxo.
— Do que você está falando?
Ágatha sorri.
— Falo do homem, desse que vive oitenta, noventa anos, quando tem saúde. Quando pode.
Ela se senta ao lado dele, deixando-o enebriado com seu perfume e o encanta com seu jeito de olhar e de o seduzir.
Ela conta rapidamente uma história de sua natureza de forma bem básica. Ele a ouve encantado.
Ele nunca havia visto um olhar como aquele. Ele nunca tinha sentido o que estava sentindo agora. O prazer que aquilo tudo prometia o deixava tonto, sem ação, quando de repente se viu nos braços dela.
Ela se aproximava pouco a pouco de sua boca, com aquela boca apaixonada que o havia seduzido já no elevador. Ele sente o coração atropelá-lo, como quando ela o mordeu no pescoço.
Nenhum controle mais ele tem sobre si. Parece que ela é tudo o que precisa viver e estar ali para satisfazê-lo e por isso ele se deixa envolver, ele se deixa levar.
Nada mais existe ali a não ser aquela explosão de emoções que os dois vivem, e agem como se não houvesse amanhã.
Nada o preparou para aquilo, mas é algo do qual ele nunca vai querer se separar. Ágatha pode ser o que for, é ao lado dela que ele quer ficar.
Essa história teve um fim repentino, reconheço. No entanto, eu vou continuar contando e aviso você quando isso for acontecer, por serem dois personagens com grande potencial. E a história também promete mais aventuras a serem partilhadas. Aguarde que aviso o próximo episódio.
O que você achou? Gostou? Gostaria de um final diferente? Afinal, é possível isso, porque a vida é cheia de surpresas e, como tal, permite todo tipo de imaginação e sonho adaptado ao considerado “oficial”.
Deixe sua sugestão, inscreva-se, deixe seu like e sugira outros finais. Obrigado por nos honrar com sua participação.
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